O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quinta-feira que as autoridades iranianas estão a ceder a “tudo” o que ele exige, a menos de uma semana de os dois países retomarem conversações a nível técnico. As declarações foram feitas no final de um encontro com senadores republicanos, na Casa Branca.
“A guerra está a correr muito bem. Como sabem, estamos a ganhar por goleada. O Irão está a fazer concessões muito importantes. Veremos o que acontece, mas tem sido muito, muito, muito contundente. O Irão está a aceitar tudo o que eu quero, e não lhes resta outra opção”, declarou Trump, segundo a imprensa internacional.
O presidente norte-americano ameaçou ainda que, caso o Irão não continue a ceder, “simplesmente voltaremos e faremos o que tivermos de fazer”. A ameaça surge num momento de divergências entre Washington e Teerão sobre questões como a cobrança de portagens no estreito de Ormuz e as inspeções nucleares.
Horas antes, Trump tinha ameaçado suspender “imediatamente” as negociações com o Irão caso este aprovasse portagens para o trânsito no estreito de Ormuz. No entanto, esclareceu que Teerão notificou Washington de que não o fará, em linha com o memorando de entendimento alcançado para tentar avançar para um acordo de paz no Médio Oriente.
Na véspera, o Irão e Omã acordaram criar um grupo de trabalho conjunto para alcançar um acordo sobre a “futura gestão da navegação” através do estreito de Ormuz, incluindo discussões com Estados costeiros do golfo Pérsico e “outras partes relevantes”. O estreito é estratégico para o comércio global de petróleo, por onde passava 20% do comércio mundial antes da guerra.
Está previsto que delegações dos Estados Unidos e do Irão retomem na próxima semana conversas a nível técnico, novamente com mediação do Paquistão e do Qatar, após os recentes contactos mantidos na Suíça. As conversas terão lugar nos dias 29 ou 30 de junho, conforme indicaram o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Tahir Andrabi, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Ao abrigo do memorando de entendimento, alcançado na semana passada, as partes têm 60 dias para negociar um acordo de paz definitivo, incluindo o futuro do estreito de Ormuz. A navegação comercial continuou a transitar no estreito, apesar de as negociações estarem ameaçadas pelo conflito entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah, aliado da República Islâmica.