Depois de André Ventura, José Luís Carneiro vai ser recebido pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, na próxima quinta-feira. O encontro, que acontece no âmbito de uma ronda de contactos com os partidos políticos, já estava previsto na agenda do chefe do governo. No entanto, o líder do PS deixou claro que a reunião não significa qualquer alinhamento com as propostas do Executivo na área laboral.

Em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro afirmou que “daí não se pode extrair a ilação de que o PS viabilizará a proposta de contrarreforma laboral do Governo”. O socialista sublinhou que o partido mantém uma posição crítica em relação às alterações que o governo de Montenegro pretende introduzir na legislação laboral, considerando-as prejudiciais aos direitos dos trabalhadores.

O encontro de quinta-feira é visto como mais um passo nas negociações políticas em curso, mas com posições claramente demarcadas. O PS reafirma a sua disponibilidade para dialogar, mas sem ceder em questões que considera fundamentais para a proteção dos trabalhadores e para a estabilidade do mercado de trabalho.

A reunião com José Luís Carneiro segue-se ao encontro com André Ventura, líder do Chega, que também foi recebido por Montenegro nas últimas semanas. As conversas com os partidos são vistas como uma tentativa do primeiro-ministro de construir consensos em torno das suas propostas, especialmente num contexto de minoria parlamentar.

A “contrarreforma laboral”, como tem sido designada pelo PS e por outros setores da esquerda, é um dos temas mais controversos da agenda do governo. As críticas centram-se na flexibilização das relações de trabalho, na redução de direitos e na precarização, que os opositores consideram inaceitáveis.

O desfecho das negociações permanece incerto, mas a posição firme do PS indica que o caminho para a aprovação de qualquer alteração na legislação laboral será difícil e exigirá concessões significativas por parte do Governo.