“Alexandria”, disse Napoleão Bonaparte sobre a antiga cidade egípcia, “mais do que Roma, Constantinopla, Paris, Londres, Amsterdão, teria sido, e deveria ser, a cabeça do universo”. O que o novo livro do historiador Islam Issa dá aos leitores é um vislumbre do esplendor, da grandeza e da importância histórica desta cidade mediterrânica fundada em 332 a.C. por Alexandre Magno, situada a 22 quilómetros a oeste do delta do rio Nilo, numa língua de terra que separa o lago Mareotis do Mar Mediterrâneo.

Em “Alexandria. A cidade que mudou o mundo”, editada pela Presença, Islam Issa, uma das vozes mais relevantes na investigação entre o mundo islâmico e o europeu, procura elucidar-nos sobre o florescimento de Alexandria enquanto centro cosmopolita e do saber da humanidade. Para isso, percorre o legado da dinastia ptolemaica, a história da famosa Biblioteca de Alexandria – recorde-se a ambição de nela se reunir toda a produção escrita: no século I a.C., estima-se que ali estivessem depositados entre 700.000 a um milhão de livros –, a ligação de figuras míticas como Helena de Tróia e Cleópatra, e a influência duradoura de Alexandria em várias civilizações. Mas não só. Islam Issa explora ainda as dinâmicas sociais contemporâneas da cidade, para podermos vislumbrar a Alexandria moderna e a sua diversidade cultural, que tem perdurado por séculos.

Em 2026, o Egito parece estar, de novo, no radar dos viajantes. Seja pelo seu extraordinário legado histórico e arquitetónico, seja pela curiosidade que o novo Grande Museu do Cairo tem suscitado. A verdade é que apetece mesmo levar esta história de uma das cidades mais literárias do mundo na mala e zarpar até ao país dos faraós.