Mais de 10 mil poços de petróleo no Golfo Pérsico vão voltar a produzir com o acordo de paz entre os EUA e o Irão. É um mar de petróleo que prepara-se para invadir o mundo. A reabertura do estreito de Ormuz é crucial para relançar 15% da produção mundial de petróleo e gás, e também de combustíveis essenciais para o mercado global.

“Começa lentamente, mas vai muito rapidamente transformar-se num mar de petróleo” em “poucas semanas ou mesmo dias”, prevê o especialista em energia da Bloomberg, Javier Blas.

O preço do petróleo já recuou mais de 30% desde o início de junho para os 77 dólares por barril de Brent, um valor praticamente em linha com o início do ano, mas ainda acima dos 72 dólares na última sessão pré-guerra.

Neste momento, existem 118 petroleiros encurralados dentro do estreito de Ormuz, que podem partir no espaço de 10-15 dias. O petróleo vai chegar rapidamente ao mercado, mesmo sem a produção estar em pleno, prevê a Kpler.

A reabertura do estreito pode libertar 93 milhões de barris retidos no Golfo Pérsico, Outros 72 milhões de barris podem ser libertados pelo Irão, se os EUA levantar as sanções sobre o crude persa, segundo a consultora.

OGoldman Sachs (GS) prevê que o Golfo Pérsico regresse a níveis pré-guerra de exportação de petróleo até ao final de julho, isto caso o acordo de paz seja assinado esta semana entre os EUA e o Irão e o estreito de Ormuz seja reaberto à navegação. Atualmente, são exportados diariamente 11 milhões de barris doGolfo Pérsico, com o alívio gradual nas restrições à navegação, mas também com a ajuda de rotas alternativas para contornar o estreito de Ormuz, com o uso de pipelines e de transporte rodoviário.

Já o Morgan Stanley espera que demore um pouco mais de tempo até a produção voltar aos níveis pré-guerra. “Ainda muito está a ser negociado e permanecem os riscos principais, mas por agora, isto é um passo essencial para atingir a redução de tensão do conflito e mais exportações de petróleo via estreito de Ormuz. Vemos a produção nos 50% em setembro e nos 80% em dezembro”, segundo a nota citada pela “Bloomberg”.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos vão conseguir aumentar a produção rapidamente dada a forte procura provocada por baixos stocks na Europa, Ásia e América, segundo o Goldman Sachs.

O Qatar planeia aumentar rapidamente a sua produção de gás após a reabertura do estreito de Ormuz, segundo a “Bloomberg”. O objetivo é recuperar a maioria da sua produção (até 80% do nível pré-guerra) no espaço de dois meses. A estatal QatarEnergy disse aos seus compradores que espera aumentar a produção no espaço de um mês, após a reabertura do estreito, com 80% no espaço de dois meses. Os restantes 20% vão demorar anos a recuperar, devido aos ataques iranianos contra as infraestruturas energéticas qataris.

O Qatar fechou a maior estrutura de liquidificação de gás na primeira semana de guerra, após um ataque iraniano ao complexo de Ras Laffan, responsável por fornecer um quinto do consumo mundial antes da guerra. O acordo de paz chega num momento crucial para os EUA, pois o país atingiu o seu nível mais baixo de inventários de petróleo desde 1983.

Entre os riscos identificados pelo GS estão a aversão ao risco dos armadores e seguradoras que podem limitar as exportações e a produção. A limpeza do estreito de minas é outra das questões, podendo demorar algum tempo. O Goldman Sachs reviu em baixa o preço do barril de Brent para o final de 2026: de 90 dólares para 80%, menos 11%. Cortou também a previsão para 2027: de 80 dólares para 75 dólares, menos 6%. No cenário do estreito continuar fechado, o petróleo poderá atingir os 130 dólares por barril até ao final de 2026, atingindo 105 dólares em 2027.