O banco italiano Monte dei Paschi di Siena (MPS) está a estudar uma eventual oferta de aquisição sobre o Banco BPM, depois de terem fracassado as negociações para uma “fusão entre iguais” entre as duas instituições, numa reviravolta que poderá intensificar a consolidação do setor bancário italiano.
Segundo o Financial Times, o presidente executivo do MPS, Luigi Lovaglio, está a avaliar uma abordagem ao maior acionista do Banco BPM, o francês Crédit Agricole, para analisar a viabilidade de uma operação. No entanto, de acordo com fontes citadas pelo jornal, ainda não houve qualquer contacto formal e o banco italiano não avançará se o Crédit Agricole não mostrar abertura para negociar.
As conversações entre o MPS e o Banco BPM terminaram oficialmente na sexta-feira, depois de o conselho de administração do Banco BPM considerar que não existiam condições para prosseguir as negociações. O banco apontou a ausência de progressos concretos e a posição do Crédit Agricole, que detém cerca de 29,3% do capital, como fatores decisivos para abandonar o projeto.
O processo começou no início de junho, quando o Banco BPM propôs uma fusão entre iguais com o MPS, uma operação que daria origem ao segundo maior banco italiano em termos de capitalização bolsista, avaliado em cerca de 50 mil milhões de euros. No entanto, um dia depois, o Intesa Sanpaolo lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) não solicitada sobre o MPS, avaliada em 30,6 mil milhões de euros, alterando por completo o cenário competitivo.
Segundo o Financial Times, uma eventual aquisição do Banco BPM pelo MPS poderá assumir a forma de uma operação baseada em troca de ações, negociada diretamente com o Crédit Agricole. Essa estrutura permitiria reduzir as necessidades de financiamento em numerário, embora dependesse de um entendimento sobre matérias como a governação, a representação no conselho de administração e a participação que o banco francês manteria na entidade resultante.
Na sexta-feira, o presidente executivo do Crédit Agricole, Olivier Gavalda, afirmou que o grupo analisará “qualquer projeto sólido” tendo em conta o interesse estratégico, os riscos de execução e a capacidade de criar valor para os acionistas do Banco BPM. Ainda assim, considerou que, nesta fase, é “muito difícil” perceber como uma combinação entre o MPS e o Banco BPM poderia criar valor para os acionistas deste último.
O MPS, que apresenta resultados semestrais esta semana, afirmou em fevereiro dispor de capital excedentário suficiente para realizar aquisições. Após o colapso das negociações com o Banco BPM, o banco reiterou que continua focado na execução do seu plano de crescimento e na integração do Mediobanca, acrescentando que continuará a avaliar todas as opções estratégicas no interesse dos seus acionistas.
A estratégia de Luigi Lovaglio enfrenta, contudo, resistência dentro do próprio MPS. De acordo com o Financial Times, vários administradores criticaram recentemente a abordagem do gestor às operações de consolidação, enquanto um dos principais acionistas do banco manifestou publicamente oposição a uma combinação com o Banco BPM.
Além disso, enquanto estiver pendente a OPA do Intesa Sanpaolo, o MPS está sujeito às regras italianas de passividade em ofertas públicas, o que significa que qualquer transação concorrente terá de ser aprovada pelos acionistas em assembleia geral extraordinária antes de poder avançar.
Entretanto foi ainda noticiado que o governo de Itália planeia alienar a sua participação remanescente no Monte dei Paschi di Siena até ao final de setembro, antes de a oferta pública de aquisição do Intesa Sanpaolo sobre a instituição de crédito entrar numa fase crucial, segundo noticiou o jornal La Stampa. O Ministério das Finanças ainda detém 4,9% do Monte Paschi e, segundo a Bloomberg, pretende manter uma postura neutra e evitar dar a impressão de que está a tomar partido na oferta, noticiou o jornal este domingo, citando um responsável do ministério que não identificou.