São quatro candidatos que disputam as eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe deste domingo. Mas, na prática, são só dois, Carlos Vila Nova e Nito Viegas d’Abreu. E a Ação Democrática Independente (ADI), que mantém a maioria absoluta na Assembleia Nacional, mas que é um partido profundamente dividido.
As presidenciais são, também, o início, a primeira etapa de um novo ciclo eleitoral, que prossegue logo a seguir, na próxima semana, com eleições internas na ADI, e depois, em setembro, legislativas, regionais e autárquicas.
Carlos Vila Nova, de 66 anos, é o incumbente. Está muito longe da situação que lhe permitiu ser eleito, em 2021, com o apoio da ADI. Muito aconteceu, entretanto. No início de 2025, demitiu o governo liderado por Patrice Trovoada, da ADI. Depois, outras decisões polémicas, como a destituição da presidente da Assembleia Nacional. Tudo tem contribuído para o agravamento da crispação política vivida nos últimos meses, nomeadamente no seio do ADI, dividida entre Trovoada e Vila Nova.
Desta vez, a ADI apoia o seu líder parlamentar, Nito Viegas d’Abreu, de 42 anos.
Os outros candidatos às oitavas eleições presidenciais são Miques João, conhecido como advogado do “Caso 25 de Novembro” de 2022 (o alegado ataque ao Quartel do Morro), e Eugénio Tiny, jurista e professor universitário.
Com a campanha na reta final, Carlos Vila Nova, que conta com o apoio do MLSTP, PCD, Basta, MDFM/UL e do recém-formado Nossa Terra, liderado pelo ex-militante do ADI Abnildo d’Oliveira, pede aos eleitores a reeleição para “garantir estabilidade e união” no país. Nito D’Abreu, que apresentou o seu programa à diáspora europeia em junho, em Lisboa, diz querer “construir um novo São Tomé e Príncipe”, numa aposta assumida no eleitorado jovem. É apoiado por Patrice Trovoada.
No boletim de voto consta ainda o nome de Jorge Bom Jesus, antigo primeiro-ministro e militante do MLSTP, que não colheu o apoio da cúpula do partido e acabou por retirar a sua candidatura, ainda que fora do prazo legal.
UE, UA, CPLP e g7+ no país
A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (MOE UE), liderada pelo deputado do Parlamento Europeu Sérgio Humberto, chegou ao país em meados de junho, destacando uma equipa principal de sete analistas eleitorais. A 15 de junho, anunciou o destacamento de 14 observadores de curto prazo por todo o território são-tomense. No dia das eleições, estarão no terreno 30 observadores dos países da UE, bem como do Canadá. “No domingo, dia 19 de julho, observarão a abertura das mesas de assembleia, a votação e o encerramento das urnas, bem como a contagem dos votos. Ficarão no terreno para acompanhar o apuramento dos resultados nas mesas até à sua conclusão. Ficarão também em todos os distritos e na ilha do Príncipe para acompanhar os primeiros dias do apuramento distrital. Aguardamos com expectativa as suas observações no terreno, que serão importantes para podermos fazer uma avaliação informada e factual também do dia eleitoral”, acrescentou o chefe dos observadores.
Também o g7+, organização intergovernamental constituída por países que enfrentam desafios estruturais ou saídos de conflitos, sediada em Díli, está presente no país a convite da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) para uma breve missão de observação eleitoral.