O presidente do Chega, André Ventura, afirmou hoje que tentou “até à última hora” um consenso com o Governo sobre a lei laboral, rejeitando que o chumbo da proposta tenha sido motivado por “cálculo político”.
“Procurei até à última hora que fosse possível chegar a um consenso. O que não posso, porque a consciência não permite e porque os eleitores também não o permitiriam nem aceitariam, é trair a visão fundamental que temos de que uma reforma, ou dita reforma laboral, possa transformar-se num instrumento de perseguição sobre quem trabalha e destruição da economia portuguesa”, declarou Ventura.
O líder do Chega falava na sede nacional do partido, em Lisboa, numa declaração aos jornalistas sem direito a perguntas. Ventura defendeu que a rejeição da proposta do Governo para alterar a lei laboral “não se trata de nenhum cálculo político”, mas sim de “defender aquilo que de mais precioso temos em Portugal, a nossa mão-de-obra sustentada e sustentável, a nossa economia sustentada e sustentável, e relações de trabalho para o futuro”.
Ventura sublinhou que a “lógica e o objetivo não é ser muleta do Governo, é corrigir os erros do Governo e fazer uma oposição responsável”. Sobre a descida da idade da reforma, uma das principais exigências do Chega para viabilizar o pacote laboral, o deputado criticou o Governo por não ter aceite a proposta. “O Governo aceitava a proposta do Chega de podermos ter uma comissão para estudar uma eventual descida da idade da reforma, mas a idade da reforma ia subir durante o tempo em que a estamos a estudar. Pergunto se há alguém no país que possa aceitar isto”, questionou.
No caso dos “tetos às pensões milionárias”, Ventura referiu que o executivo também não aceitou esta reivindicação, “porque desequilibraria alegadamente, segundo o Governo, o sistema de Segurança Social”. Quanto ao fim das subvenções vitalícias, o líder do Chega disse que o Governo também não aceitou, “entendendo que há questões de constitucionalidade que se colocam”. A proposta de lei para rever a lei laboral foi rejeitada na generalidade no Parlamento, com o Chega a votar contra, juntamente com a esquerda parlamentar.