O partido Livre defendeu esta quarta-feira que Portugal deve rejeitar a organização conjunta do Mundial 2030 com Marrocos, numa posição que contraria a decisão do governo português e das federações desportivas envolvidas. Em comunicado, o partido liderado por Rui Tavares considera que a parceria com o reino alauita é incompatível com os valores democráticos e de direitos humanos que o país deve defender.
Jorge Pinto, dirigente do Livre, afirmou:
“Perante o que tem acontecido, exige-se uma decisão corajosa: Portugal não pode compactuar com a organização conjunta do Mundial 2030 com Marrocos.”
O partido critica o regime marroquino, apontando violações de direitos humanos, nomeadamente a prisão de jornalistas e ativistas, além da questão do Sara Ocidental, que considera um caso de ocupação ilegal. O Livre sublinha que a realização de um evento desportivo global como o Mundial de Futebol não deve servir de legitimação a regimes autoritários.
Governo português defende parceria
O executivo português tem reiterado o seu apoio à candidatura conjunta entre Portugal, Espanha e Marrocos, que foi oficializada em outubro de 2023. O primeiro-ministro considerou que a organização do Mundial é uma oportunidade para reforçar laços entre os três países e impulsionar investimentos em infraestruturas. No entanto, o Livre argumenta que Portugal deve estar alinhado com valores europeus e internacionais de direitos humanos.
“A candidatura conjunta com Marrocos já foi aprovada pela FIFA, mas isso não impede uma reflexão ética sobre o nosso envolvimento”, referiu Pinto. O partido apela à sociedade civil e aos outros partidos para que se una numa posição de rejeição.
Contexto da candidatura
A candidatura tripla venceu a concorrência de outros países e foi aprovada no Congresso da FIFA, no final de 2024. Portugal, Espanha e Marrocos vão organizar o campeonato do mundo, cumprindo um calendário que distribui jogos pelas três nações. Segundo a FIFA, o Mundial de 2030 será inédito pelo facto de se realizar em três continentes, incluindo ainda a Argentina, o Paraguai e o Uruguai para jogos comemorativos.
O Livre reconhece que a escolha da FIFA é difícil de reverter, mas defende que Portugal pode e deve pressionar por condições, ou, em último recurso, recusar a parceria, privilegiando uma organização conjunta apenas com a Espanha, caso a FIFA permita.