As viagens que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem feito no âmbito do Campeonato do Mundo de futebol, que se realiza nos Estados Unidos, Canadá e México, produziu mais emissões em duas semanas do que 78 pessoas num ano, de acordo com uma investigação levada a cabo pela BBC. Relatório já tinha alertado que este pode ser o Mundial mais poluente de sempre, apesar do compromisso da FIFA em reduzir as emissões em 50% até 2030 e atingir as emissões líquidas zero até 2040.
Em duas semanas, de acordo com os dados da BBC, Gianni Infantino assistiu a 24 jogos do Campeonato do Mundo. O canal britânico localizou um jato privado, ligado à FIFA e a Gianni Infantino, que fez 27 voos durante o torneio do qual resultou um impacto equivalente ao de 78 pessoas num ano.
O voo mais longo realizado pelo presidente da FIFA foi de 4.507 km para assistir ao Austrália-Turquia. A sua viagem mais longa num dia, sem contar com voos noturnos, foi a 15 de junho quando fez quatro mil km através dos Estados Unidos, de Miami a Seattle, para assistir ao Bélgica-Egito. Depois deslocou-se 1.545 km para o jogo entre Irão e Nova Zelândia.
Os dados da BBC dizem que o jato privado percorreu pelo menos 50.122 km e esteve mais de 66 horas no ar entre o início do torneio e 27 de junho.
A BBC diz que o Gulfstream G650ER, o avião que se acredita estar a ser utilizado por Infantino para realizar as suas deslocações durante o torneio, terá um consumo de aproximadamente 1.817 litros por hora. Isso significa que as suas viagens durante a fase de grupo terão produzido cerca de 516 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). A média global anual de emissões de gases com efeito de estufa por indivíduo é de 6,56 toneladas de CO2e, referiu o canal britânico, tendo por base dados da União Europeia. Ou seja, as deslocações de Gianni Infantino, em duas semanas, produziram praticamente a mesma quantidade de emissões que cerca de 78 pessoas produzem num ano.
“O presidente da FIFA viaja rotineiramente, juntamente com os dirigentes relevantes, em assuntos comerciais e relacionados com torneios, e procura visitar as associações-membro da FIFA sempre que possível. Por vezes, as viagens são organizadas em companhias aéreas comerciais [incluindo as de baixo custo] e, outras vezes, em voos fretados privados, dependendo do que for mais eficiente e económico nas circunstâncias”, disse um representante da FIFA, quando questionado pela BBC.
O canal britânico lembrou os compromissos ambientais que a FIFA tinha para este Mundial. Aqui inclui-se “esforços para aumentar a eficiência energética, promovendo a utilização de carros elétricos, transportes públicos e conservação da água”. Isto perante o compromisso da FIFA em reduzir as emissões em 50% até 2030 e atingir as emissões líquidas zero até 2040.
A BBC cita ainda um relatório de 2025 da organização Scientists for Global Responsibility (SGR) que estimava a pegada de carbono total deste mundial nos nove milhões de toneladas de CO2e, o que seria equivalente a quase o dobro da média dos últimos quatro Mundiais, passando a ser o torneio deste ano o mais poluente de sempre.