Viajamos pela história? O edifício, construído no final do século XVII por Jules Hardouin-Mansart, foi, inicialmente, a residência privada de Paul de Beauvilliers. Depois, tornou-se a sede do Ministério das Finanças, nos reinados de Luís XV e Luís XVI. O Tesouro francês era gerido a partir daqui. As elites políticas e culturais da Europa também passavam por aqui. Após a Revolução, teve várias funções — quartel, hospital, espaço administrativo — até cair no esquecimento. Nada fazia antever que recuperasse o seu esplendor.
O seu renascimento é recente e profundamente radical. As obras de restauro envolveram historiadores e artesãos. Resultado? A história vibra em todos os detalhes, mas sem qualquer laivo de nostalgia. A decoração dos 15 quartos e suítes em estilo Grand Siècle denota um gosto profundamente francês, com tecidos Pierre Frey, candelabros, lareiras de mármore, mobiliário de época restaurado, molduras douradas, retratos antigos, paredes em tons pastel, padrões florais e luz natural… que inunda o interior e ilumina os jardins reais do Palácio de Versalhes.
Ah, pronunciámos o nome desse devaneio barroco antes de deixarmos a vista perder-se sobre a geometria dos jardins, as Cent Marches, a Orangerie e o Petit Trianon.
Abrir as janelas em Airelles Le Grand Contrôl, o hotel que se esconde no recato dos jardins do Palácio de Versalhes, convida à meditação. A sonhar acordados. A levitar. De manhã, pode solicitar um “despertar real”. Já lá vamos. À chegada, cada cliente é recebido pelo respetivo mordomo. Que o acompanhará durante toda a estadia. Quando solicitado, claro. Como para o tal “despertar real”, em que deslizará silenciosamente, qual felino, até às janelas para abrir os cortinados, desejar-lhe “bom dia”, anunciar a hora e o estado do tempo, e servir a bebida de limão e gengibre tão apreciada por Maria Antonieta.
Visitas privadas feitas à medida
Pode desfrutar esse momento a que chamamos pequeno-almoço no quarto ou em espaços dedicados, mas o jantar pede outro tipo de intimismo e elegância. Sugerimos La Table des Jardiniers e pratos tradicionais franceses revisitados por Alain Ducasse, nome que dispensa apresentações. Mais. O design da sala, os materiais quentes, a iluminação suave, as texturas dos tecidos e da porcelana são parte integrante da experiência gastronómica. Mas o melhor está, ainda, para vir.
O acesso privado ao Palácio. Os espaços normalmente fechados ao público abrem-se aos clientes do Airelles Le Grand Contrôl, como os Grands Appartements (aposentos do rei e da rainha), os jardins (que inspiraram os primeiros perfumistas) e o Petit Trianon. Uma experiência sempre única, porque feita à medida de cada cliente.
A mais recente novidade do hotel é a reconversão da casa dos jardineiros reais num discreto edifício de dois pisos com três suítes de até 240 metros quadrados, pensadas como residências privadas rodeadas de vegetação, entre a Orangerie e os jardins. Mais intimista e próximo desse conceito que é sussurrar-um-segredo-ao ouvido. Longe dos olhares indiscretos da corte.
Metáfora? Sem dúvida. Mas nada que nos tire o sono. Antes convidará a leituras sobre Luís XIV, o monarca absoluto e o primeiro a transformar e a ampliar o pavilhão do seu pai, para onde transferiu a corte e o governo em 1682. Voltaire dedica-lhe “O Século de Luís XIV”. A sua pluma deu ainda à estampa uma deliciosa sátira, provocação aos homens do seu tempo, que viam no otimismo uma virtude. “Cândido, ou o Optimismo” foi publicado em 1759. Continua a valer a pena lê-lo. Com tempo e descontração. E se for no terraço do Airelles Le Grand Contrôl?
Reservas através do site airelles.com