O presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, defendeu esta quinta-feira que é necessário aumentar os salários dos dirigentes da Administração Pública e desvincular essas remunerações das dos políticos. A posição foi expressa durante um almoço-debate organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE), em Lisboa.

“Quando dizemos mal da Administração Pública temos de saber se estamos disponíveis para pagar mais aos dirigentes”, afirmou Macedo, sublinhando que a falta de atratividade salarial compromete a capacidade de atrair e reter talento no setor público.

“Tem de se desindexar estas remunerações das dos políticos”, acrescentou, criticando a atual lei que estabelece que os salários dos funcionários do Estado não podem ultrapassar o do primeiro-ministro, cujo salário base mensal bruto ronda os 6.000 euros, além de suplementos.

O gestor defendeu ainda maior flexibilidade para premiar os melhores trabalhadores públicos, seja através de progressão na carreira ou prémios, sem a necessidade de esperar por resultados de avaliações ou concursos morosos. Macedo partilhou uma experiência pessoal: quando foi diretor-geral dos Impostos, quis promover uma trabalhadora a diretora, mas ela pediu que não o fizesse, pois já estava no topo da carreira e não teria aumento salarial.

A CGD, detida a 100% pelo Estado, é uma das entidades com exceções salariais por operar em regime de concorrência. Em 2025, Paulo Macedo recebeu 433 mil euros em remuneração fixa (cerca de 30 mil euros por mês), além de remuneração variável. No total, segundo o jornal Eco, auferiu 964 mil euros em 2025, o valor mais baixo entre os presidentes dos cinco maiores bancos em Portugal.