O ministro das Infraestruturas e Habitação e dirigente do PSD, Miguel Pinto Luz, defendeu que nem o país nem o partido se podem “dar ao luxo” de deixar de ouvir senadores da política, como o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, mesmo quando há discordâncias.
Em declarações ao programa “Política com Assinatura”, da Antena 1, Pinto Luz afirmou que, apesar de discordar de muitas afirmações de Passos Coelho sobre a falta de reformismo do Governo, reconhece um “caráter mais benévolo” nas suas palavras. “Vejo em Passos Coelho uma vontade incessante de reformar, de fazer mais”, sublinhou, comparando o seu papel ao de Mário Soares em relação aos líderes do PS.
Pinto Luz alertou que a democracia portuguesa não abunda em figuras como Passos Coelho e que “não convém nos darmos ao luxo de deixar de ouvir aqueles que já muito deram ao país e muito têm para dar”. Referiu ainda que o antigo líder do PSD fala “com o direito que lhe concede o facto de ter dado muito a este país” e que tanto o partido como o país o respeitam.
Apesar do reconhecimento, Pinto Luz manifestou discordâncias com a visão de Passos Coelho sobre o atual executivo, considerando que o Governo “não tem medo de reformar, não tem medo de tocar com o dedo na ferida”, citando exemplos nas pastas da habitação, saúde, reforma do Estado e imigração.
Questionado sobre o Congresso do PSD, que se realiza em Anadia, Pinto Luz disse que o antigo líder seria “muito bem-vindo”, mas remeteu a decisão de participar para o próprio. Quanto a uma eventual recandidatura à liderança do PSD, começou por dizer que está “muito contente” ao lado de Luís Montenegro e acredita que o primeiro-ministro se manterá até ao fim da legislatura, em 2029, mas admitiu continuar com ambição política. “Quando terminar este percurso, farei a minha avaliação”, acrescentou.
Na mesma entrevista, Pinto Luz recusou que o Governo esteja a privilegiar o Chega nas negociações, acusando o PS de estar “ziguezagueante” e dividido em “tensões internas”. Disse não acreditar que os socialistas possam rejeitar, sem conhecer, o Orçamento do Estado para 2027, recordando que no anterior orçamento colocaram regras que foram acomodadas pelo Governo.