Os navios comerciais que atravessam o Canal do Panamá enfrentam um aumento de custos em plena perturbação desencadeada pela guerra com o Irão e pela descida dos níveis de água associada ao intenso sistema meteorológico El Niño deste ano.
De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, um navio porta-contentores terá pago cerca de 4 milhões de dólares (3,4 milhões de euros) para furar uma fila de navios à espera de passar pelo vital ponto de estrangulamento marítimo.
Os navios aguardam agora cerca de 10 dias pela sua vez de passar pela rota comercial que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, o maior acumulado desde maio, segundo a Argus Media, citada pelo “The Guardian”. A rota é preferida pelos armadores por reduzir normalmente custos e tempos de trânsito, especialmente para grandes retalhistas e empresas energéticas que comercializam entre a Ásia e os EUA.
Os armadores estão dispostos a pagar preços significativamente mais elevados em leilão para evitar filas, à medida que mais navios se afastam do Golfo e do Mar Vermelho, uma vez que os combates no Médio Oriente fecharam efetivamente o Estreito de Ormuz e o Bab al-Mandab, a estreita via navegável entre a Península Arábica e o Corno de África.
Os preços para circular nas vias de navegação mais movimentadas do Canal do Panamá atingiram máximos históricos, segundo o “Financial Times”, numa altura em que os níveis de água estão a descer em consequência do sistema meteorológico El Niño em rápido desenvolvimento.
O Canal do Panamá não é a única rota comercial crucial afetada pela descida dos níveis de água, em meio a uma crescente preocupação internacional sobre as consequências económicas da emergência climática.
Um prolongado período de tempo seco em toda a Europa levou a níveis de água historicamente baixos no Reno, com os operadores a alertar que não era possível reservar alguns carregamentos de carga no rio, obrigando-os a pagar custos mais elevados para transportar mercadorias por estrada e caminho-de-ferro.
O Reno é uma das principais artérias europeias para o transporte de cereais, combustível, minerais e mercadorias, mas os fabricantes têm sido obrigados a reduzir a quantidade de carga transportada em navios em consequência dos baixos níveis de água.