Sendo a questão de Ormuz aquela que mais é referida pelos países ocidentais, importa referir que a agência iraniana Farsnews adianta que “uma fonte bem informada revelou alterações significativas no texto final do entendimento Irão-EUA, afirmando que a linguagem revista reconhece explicitamente o papel do Irão e de Omã na determinação do futuro dos serviços marítimos no Estreito”. A alteração, diz ainda a agência, “inclui a aceitação, pela primeira vez, do direito do Irão de cobrar taxas pelos serviços marítimos nesta via navegável estratégica”. As revisões finais do texto do entendimento enfatizaram explicitamente a soberania iraniana e omanita sobre o Estreito de Ormuz.

“Nos momentos finais das negociações, o texto do memorando sofreu alterações que enfatizaram, de forma definitiva e explícita, o exercício da soberania iraniana e omanita sobre o Estreito de Ormuz”, disse a fonte citada. E acrescentou que as versões anteriores do texto continham terminologia destinada a garantir a autoridade e os acordos do Irão no estreito, mas a redação revista afirma agora que “a futura administração dos serviços marítimos no Estreito de Ormuz” será “determinada” pelo Irão e por Omã.

Segundo a fonte, a utilização explícita do termo “serviços marítimos” significa que os Estados Unidos aceitaram efetivamente o direito do Irão de cobrar taxas relacionadas com estes serviços. O Irão aceitará a passagem gratuita de navios durante “apenas” 60 dias. “Isto significa que os Estados Unidos aceitaram o princípio da cobrança de taxas, garantindo ao mesmo tempo uma isenção de apenas 60 dias por parte do Irão”.

Após o período de 60 dias, a República Islâmica do Irão pretende gerar receitas com o tráfego marítimo comercial através do Estreito de Ormuz, fornecendo serviços de segurança, navegação, ambientais e de seguros, utilizando os recursos assim captados para apoiar o desenvolvimento económico do país. Teerão diz que foram conduzidas as negociações necessárias para garantir o apoio omanita ao acordo.

A notícia surge ao arrepio de toda a retórica norte-americana. Recorde-se que Trump disse nas redes sociais que “autorizo totalmente a reabertura do Estreito de Ormuz sem taxas de trânsito e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA. Navios do mundo, liguem os motores. Deixem o petróleo fluir”. E acrescentava que a abertura do canal acontecerá “assim que o acordo for assinado, na sexta-feira, para permitir a desminagem”.

Petróleo a preço de ‘saldo’

Durante a tarde desta segunda-feira e já depois de conhecida a data para a assinatura do acordo, o petróleo estava a preço de ‘saldo’: vagueava na casa dos 80 dólares o barril – o que supunha um desconto de quase 30% em relação ao pico máximo de 113,03 dólares atingido em 7 de abril passado.

A última vez que o barril de petróleo esteve a 80 dólares foi a 15 de julho de 2024 e estava caro: nos meses seguintes continuaria a descer até atingir um mínimo de pouco mais de 56 dólares a meio de dezembro do ano passado.