Segundo os dados mais recentes, existem em Portugal cerca de 143 novos casos por cada 100 mil mulheres, o que corresponde a 31% de todos os diagnósticos de cancro no sexo feminino. O cancro da mama surge quando algumas células da glândula mamária sofrem alterações no ADN e começam a multiplicar-se de forma desordenada, formando um tumor maligno. Este crescimento descontrolado leva à destruição dos tecidos vizinhos saudáveis e, se a doença não for detetada e tratada precocemente, estas células podem viajar através da corrente sanguínea ou do sistema linfático para outros órgãos do corpo.
É, por isso, importante intercetar o tumor enquanto este se encontra apenas na mama, sendo esta a maior oportunidade para travar a progressão da doença e aumentar a probabilidade de cura.
O sinal mais frequente da presença de um cancro da mama é um nódulo duro. Podem, no entanto, existir outras alterações a que deve estar atenta, nomeadamente na pele da mama, como um aspeto rugoso, semelhante à casca de uma laranja, vermelhidão, inchaço ou calor persistente – e alterações no mamilo, feridas que não cicatrizam, ou descamação. Também são sinais de alerta a perda de líquido, especialmente se a secreção surgir espontaneamente, ou apenas numa das mamas; mudanças no formato ou tamanho, com assimetria súbita entre as duas mamas e, finalmente, nódulos noutras zonas, nomeadamente caroços ou inchaço na zona da axila, ou perto do pescoço.
Estes sinais devem levar ao agendamento de uma consulta médica, para avaliação.
Os exames de deteção precoce são fundamentais e devem ser realizados por pessoas que não apresentam qualquer sintoma ou queixa, com o objetivo de detetar a doença numa fase inicial. No caso do cancro da mama, a mamografia é o exame de eleição. A grande vantagem deste método é a capacidade de identificar lesões milimétricas ou alterações nos tecidos antes de estas se tornarem percetíveis ao toque. Quando detetamos o cancro nesta fase inicial, a probabilidade de cura ultrapassa os 90%.
Em Portugal, o Programa Nacional de Rastreio do Cancro da Mama destina-se a mulheres com idades compreendidas entre os 45 e os 69 anos, com a realização de uma mamografia de dois em dois anos. Se receber a convocatória oficial para o exame, a recomendação médica é inequívoca: participe! Em 2022, 50% das mulheres participaram, tendo feito os exames recomendados.
Pode também falar com o seu médico assistente para perceber se, no seu caso específico, se justifica iniciar os exames de deteção precoce mais cedo.
Não podemos controlar a nossa idade, nem a nossa genética, mas podemos mitigar o risco modificando o nosso estilo de vida. O exercício diário ajuda a regular os níveis hormonais, fortalecendo o sistema imunitário, sendo também importante fazer uma alimentação saudável e controlar o peso, uma vez que o excesso de gordura corporal, especialmente após a menopausa, aumenta a produção de estrogénio. Evitar o álcool é também fundamental, na medida em que existe uma relação direta e amplamente comprovada pela Organização Mundial da Saúde entre o consumo de bebidas alcoólicas e o aumento do risco de cancro da mama.
Além destas medidas, sempre que possível e desejado, a amamentação, idealmente além dos primeiros seis meses de vida do bebé, é um fator protetor relevante. Adicionalmente, deve evitar-se a automedicação ou o uso prolongado e não supervisionado de Terapêuticas de Substituição Hormonal (TSH) na menopausa.
A Oncologia mudou drasticamente nos últimos anos. Hoje, não tratamos o cancro da mama como uma doença única; tratamos o tumor específico de cada pessoa específica. Graças à personalização dos tratamentos, às terapias-alvo e à imunoterapia, conseguimos resultados extraordinários, com maior qualidade de vida para os doentes.