As Nações Unidas assumiram a coordenação de uma operação humanitária de grande escala na Venezuela, após o duplo sismo que atingiu o país na semana passada. Mais de 2.000 socorristas de 27 países estão mobilizados para buscar sobreviventes sob os escombros.

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter, ocorreram com menos de um minuto de intervalo, seguidos por mais de 20 réplicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O balanço mais recente das autoridades aponta para pelo menos 1.719 mortos e mais de 5.034 feridos.

O coordenador humanitário da ONU para a Venezuela, Gianluca Rampolla, informou que 27 países enviaram mais de 40 equipes de busca e salvamento, totalizando mais de 2.000 socorristas e 160 cães farejadores. Apesar de já terem passado as primeiras 72 horas, as equipes continuam concentradas na busca por sobreviventes.

Além das operações de resgate, a ONU está coordenando assistência médica de emergência, abrigo, ajuda alimentar, água, saneamento e logística para distribuir os mantimentos que chegam ao país. Rampolla destacou a estreita colaboração com as equipes norte-americanas, após o presidente Trump ordenar o fechamento da USAID.

A ONU fornecerá 10 mil sacos mortuários, embora Rampolla tenha expressado a esperança de que o número final de vítimas seja inferior. Estima-se que cerca de 50.000 pessoas estejam desaparecidas. Pelo menos 56 portugueses e lusodescendentes estão entre os mortos, e outros 91 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipes de busca e salvamento para a Venezuela. A base da missão portuguesa está em Catia la Mar, em La Guaira, uma região com grande concentração de lusodescendentes. Cerca de 2.500 edifícios foram afetados, muitos deles totalmente destruídos.