O Governo quer criar um subsídio para os polícias que trabalham nos aeroportos, passando os agentes a receber a partir de julho 135 euros mensais, valor que aumentará para 160 euros em 2027, revelaram hoje os sindicatos da PSP.

A proposta sobre a criação e atribuição de um suplemento especial para os polícias da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP que trabalham no controlo de fronteiras aéreas foi apresentada hoje aos sindicatos da PSP numa reunião no Ministério da Administração Interna (MAI).

O ministro apresentou duas propostas, uma sobre saúde mental, e outra sobre o suplemento da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras, disse à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP).

A proposta do Governo, passa, segundo Paulo Santos, pelo pagamento em julho de um suplemento mensal de 135 euros para os agentes, que será aumentado em janeiro para 160 euros.

No caso dos chefes, o suplemento mensal é de 155 euros, passando para 180 euros em 2027, enquanto os oficiais passam a receber este ano 175 euros e em janeiro 200 euros.

Paulo Santos indicou que a ASPP vai analisar a proposta e enviar uma contraproposta, sustentando que os suplementos na PSP não são atualizados desde 2009.

Parece que é mais uma forma subtil de dar a entender que estão a resolver problemas apenas para alguns e deixar de lado a maioria, frisou.

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) lamentou que o Governo tenha deixado de fora os profissionais da GNR que cumprem as mesmíssimas funções e que estão na Unidade de Controlo Costeiro e de Fronteiras.

O presidente da APG, César Nogueira, disse à Lusa que o MAI ainda não concretizou uma proposta semelhante para a GNR por não estar ainda na posse de todos os dados.

Também o presidente da Associação Nacional dos Oficiais da Guarda (ANOG), Tiago Silva, criticou o MAI por apenas ter apresentado uma proposta para PSP, o que demonstra uma desconsideração dos militares da GNR com as mesma funções, frisando que apenas quis resolver o problema que existe nos aeroportos.

O presidente da ASPP criticou também a forma como estão a decorrer as reuniões entre o MAI e os sindicatos, considerando que o ministro não está a negociar e que as matérias do acordo, como revisão de todos os suplementos e remunerações dos polícias, tenham sido adiadas para setembro.

Segundo Paulo Santos, os sindicatos que não assinaram o acordo em 2024 estão a suscitar matérias que não estavam no documento e o ministro parece estar confortável para que isto seja prolongado no tempo.

O presidente do maior sindicato da PSP defendeu que as questões que não façam parte do acordo sejam negociadas em paralelo.

Esperemos que na próxima reunião já haja uma diferença, tanto no formato das reuniões como nas matérias que estão em cima da mesa, para que possamos evoluir. Caso contrário, teremos que perceber se há espaço para dar mais tempo ao ministro e ao Governo ou se avançaremos com protestos, admitiu ainda.

Também o presidente da APG considerou a reunião fraca e frustrante sem que tivesse existido algo em concreto, lamentando que tenha sido empurrado para setembro a questão do estatuto remuneratório sem avançar quando poderá existir um documento final.

Por sua vez, o presidente da associação que representa os oficiais da Guarda tem dúvidas que a questão das remunerações seja resolvida este ano, antecipando que apenas seja umas migalhas na parte remuneratória.

As negociações entre o MAI e os sindicatos da PSP e associações da GNR vão continuar no dia 15 de julho.