O líder do Chega, André Ventura, afirmou hoje que o partido “não se vende, nem verga” ao justificar o voto contra a revisão da lei laboral proposta pelo Governo. A declaração foi feita na rede social X, onde Ventura escreveu: “O Governo e as suas muletas têm de perceber que o Chega não se vende, nem verga. Ou aceitam proteger quem trabalha, ou aceitam corrigir a imoralidade da idade da reforma e das reformas milionárias, ou não contam connosco!”.

A proposta do Governo para rever a legislação laboral foi chumbada na generalidade, com os votos contra do Chega e da esquerda parlamentar. O partido de André Ventura não alcançou um acordo com o PSD, apesar de negociações de última hora. A bancada liderada por Pedro Pinto chegou a pedir a suspensão dos trabalhos por meia hora antes da votação.

Ventura tinha anunciado que votaria contra a proposta caso ela se mantivesse como estava, apresentando exigências como a descida da idade da reforma, a reposição dos dias de férias, a proteção dos direitos das mães que amamentam, a licença para os avós cuidarem dos netos e a valorização dos trabalhadores por turnos. O líder do Chega reuniu-se duas vezes com o primeiro-ministro Luís Montenegro antes da votação.

O primeiro-ministro, durante o debate quinzenal, manifestou disponibilidade para enriquecer a proposta, mas sinalizou que não defende uma descida da idade da reforma, como exigido pelo Chega. Ventura, no debate parlamentar, afirmou que o seu partido iria “conseguir para os trabalhadores a maior vitória das últimas décadas”.