António Costa e a União Europeia (UE) vieram hoje em defesa de Pedro Sanchez e de Espanha, expressando a sua “total solidariedade”.

“A União Europeia vai sempre garantir que os interesses dos seus estados-membros são inteiramente protegidos”, escreveu o presidente da União Europeia nas redes sociais.

“Reafirmamos o nosso compromisso firme aos princípios da lei internacional e das regras que gerem a ordem mundial”, segundo o ex-PM português.

I have just held a call with President @sanchezcastejon to express the EU’s full solidarity with Spain.

The EU will always ensure that the interests of its Member States are fully protected.

We reaffirm our firm commitment to the principles of international law and the…

— António Costa (@eucopresident) March 4, 2026

O apoio dos estados-membros de Bruxelas chega depois de o primeiro-ministro espanhol ter respondido hoje a Donald Trump pela sua intervenção militar no Irão à margem das Nações Unidas.

“É ingénuo praticar um seguidismo cego e servil” aos Estados Unidos, afirmou esta quarta-feira Pedro Sanchez sublinhando que a sua posição foi igual perante os conflitos na Ucrânia ou em Gaza.

O governante exigiu o fim das hostilidades “antes que seja demasiado tarde. Esta crise afeta-nos e exigimos toda a resolução aos EUA, Irão e Israel para que parem antes que seja demasiado tarde. Não se pode responder a uma ilegalidade com outra, assim começam os maiores desastres da humanidades”.

O Governo espanhol só tem uma posição perante este conflito, defendeu: “Não à guerra. Não à quebra do direito internacional Não a assumir que o mundo só pode resolver os seus problemas à base de conflitos de bombas. Não a repetir os erros do passado”.

Depois de Espanha não ter dado autorização aos Estados Unidos para realizarem ataques a partir das suas bases no país vizinho, Donald Trump avisou que pretendia cancelar as relações comerciais com Espanha.

Madrid respondeu que os acordos comerciais com países da UE são negociados pela União Europeia.

Mas Trump fez mais críticas a líderes europeus, como ao primeiro-ministro britânico Keir Starmer por ter recusado participar nos ataques: “a relação especial dos nossos países já não é o que era”.

Já em Portugal, os EUA têm usado a base das Lajes nos Açores para reabastecer aviões de combate e fazer escalas.

O tema deverá estar hoje em destaque no debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento.

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse na terça-feira que ““Até começar o ataque, e enquanto decorriam negociações, o regime que foi aplicado é o [de] sobrevoos e aterragens normais — que consta de uma declaração anual permanente que os Estados Unidos têm”.

“Tudo aquilo que se passou até sexta-feira não depende exatamente do acordo das Lajes”, mas sim das autorizações de sobrevoo e escala em Portugal, “que é o decreto-lei 2/2017”, disse Paulo Rangel em entrevista ao canal “NOW”.

“Foi esse [o decreto] que foi invocado pelos Estados Unidos e aplicado pelo Governo em linha com os anteriores governos — que sempre o fizeram dessa maneira em circunstâncias análogas”, acrescentou.