A BNZ, empresa espanhola apoiada pelo fundo britânico Nuveen, tem 770 milhões de euros disponíveis para investir em energias renováveis em Portugal. A companhia planeia construir nove centrais solares com uma capacidade total de 600 megawatts (MW) nos próximos anos. Atualmente, já estão em construção quatro projetos no norte do país: Armamar (98 MW, distrito de Viseu), Trofa (30 MW, Porto) e dois em Vila Nova de Famalicão (total de 68 MW, Braga).
Apesar do forte investimento, a BNZ queixa-se de atrasos nos apoios e licenciamentos, que têm atrasado os seus projetos. A empresa lamenta que o Governo ainda não tenha conseguido “ultrapassar os vários obstáculos burocráticos”. O presidente-executivo da BNZ, Luís Selva, destacou ao Jornal Económico que o atraso no leilão de baterias “não é simplesmente uma data incumprida no calendário, mas um fator que mantém Portugal dependente das centrais térmicas e da volatilidade dos preços do gás”.
O Governo prometeu dar detalhes sobre o leilão no final deste mês, com uma potência prevista de 750 megavolt amperes (MVA). “É importante ressalvar que esta é a primeira vez que há informações concretas sobre este leilão, que já tinha sido prometido há vários meses”, afirmou Selva, acrescentando que “a demora e a falta de transparência passam a imagem de um Governo comprometido até certo ponto”.
A BNZ critica o “bloqueio evitável” no setor: “temos centenas de milhões de euros prontos para investir, mas deparamo-nos com um sistema que não protege o interesse nacional, aplicando regras de licenciamento já desatualizadas”. Luís Selva deu o exemplo da Alemanha, onde as baterias são remuneradas pela estabilidade que aportam ao sistema, e alertou que “Portugal está, na prática, a empurrar o investimento para outros mercados por falta de definição política”.
A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu que o Governo já fez “um investimento significativo em baterias, através do PRR, com mais de 180 milhões de euros”, apoiando 43 projetos e a instalação de, pelo menos, 500 MW de capacidade de armazenamento. Além disso, o Governo anunciou que vai passar a ter poderes para aprovar diretamente projetos de energias renováveis, mesmo que sejam chumbados pelas autoridades ambientais e de licenciamento.
Os projetos solares enfrentam o problema da “bancabilidade”, já que precisam de vender eletricidade no mercado e dependem de baterias para serem rentáveis. A Península Ibérica tem muita capacidade solar, levando os preços a cair, o que dificulta a obtenção de financiamento bancário. Luís Selva acredita que “existe um atrativo enorme para continuar a financiar projetos renováveis na Europa”, mas critica o “emaranhado administrativo dos processos” em Portugal.