O Banco CTT registou no primeiro semestre de 2026 um resultado líquido de 8,3 milhões de euros, excluindo itens específicos, valor praticamente em linha com o registado no mesmo período do ano anterior, segundo o comunicado de resultados divulgado hoje.

O resultado líquido consolidado foi de 7,9 milhões de euros, menos 4% do que em 2025. A rentabilidade normalizada dos capitais próprios tangíveis (RoTE) situou-se em 12,1% nos últimos 12 meses.

Segundo os CTT, o desempenho no semestre do banco liderado por Francisco Barbeira ficou a dever-se sobretudo ao crescimento da margem financeira (+4,9 milhões de euros, +9,7%) e das comissões recebidas (+2,0 milhões, +12,6%), alavancadas pelo aumento da base de clientes e do envolvimento com estes, que se traduziu em crescimento do volume de negócios dentro e fora do balanço.

As comissões recebidas totalizaram 17,7 milhões de euros (+12,6%), com contributo positivo de seguros, crédito ao consumo, transacionalidade e crédito habitação.

O produto bancário aumentou 9% para 68,5 milhões de euros. A margem financeira subiu 10% para 55,3 milhões de euros, sustentada pelo crescimento da carteira de crédito e por uma gestão disciplinada do balanço, com a margem de juro a manter-se estável em 2,2%, apesar da descida da Euribor a três meses. As comissões líquidas cresceram 14% para 15,2 milhões de euros, refletindo maior atividade dos clientes.

O Banco CTT registou receitas operacionais de 74,1 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 8,1% face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento da margem financeira e das comissões, informaram hoje os CTT- Correios de Portugal, donos do banco.

No que toca apenas ao segundo trimestre, as receitas operacionais atingiram 37,6 milhões de euros, mais 7,4% do que no mesmo período de 2025.

A colocação de títulos de dívida pública gerou receitas de 8,3 milhões de euros no segundo trimestre (+56,1%), com subscrições a totalizar 1.640,7 milhões de euros (+40,9%). A comparação beneficia das alterações nas condições de comercialização do produto e da evolução das taxas de juro.

Os custos operacionais aumentaram 10% para 47,8 milhões de euros, impulsionados pelo reforço do quadro de pessoal (+6% para 728 colaboradores, sobretudo na rede comercial) e por investimentos tecnológicos.

O EBIT recorrente do banco foi de 10,5 milhões de euros no semestre, uma descida de 3,5%, refletindo o investimento na aceleração do crescimento da base de clientes, volumes e receitas, com reforço da rede, capacidades comerciais e informática.

A instituição destaca que o investimento nas linhas de negócio atuais e em novos serviços reforça a proposta de valor junto das empresas portuguesas.

No final de junho, o número de contas à ordem situava-se em 688,3 mil, um acréscimo de 0,7% em termos homólogos. Em maio, o banco procedeu ao encerramento de 197,7 mil contas inativas, em conformidade com as regras do Banco de Portugal relativas a contas sem movimento durante 24 meses ou mais.

A atividade comercial manteve forte dinamismo. O volume de negócios atingiu 8.377,3 milhões de euros no final de junho, um crescimento de 14% face a junho de 2025 e de 7% face a dezembro, sustentado pelo crédito a clientes (2.247,0 milhões, +6,4%, com destaque para o crédito à habitação), e pelos recursos de clientes de retalho que ascenderam a 5.988 milhões de euros (+13% em termos homólogos), dos quais 4.606 milhões em depósitos de balanço (+12%) e 1.382,1 milhões em produtos off-balance de bancassurance (+18%).

No que toca ao crédito líquido a clientes o Banco CTT registou um aumento de 179 milhões de euros no semestre, para 2.174 milhões. A produção de crédito à habitação cresceu 36% para 198,9 milhões de euros e a de crédito automóvel 15% para 158,7 milhões, com ganhos de quota de mercado em ambos os segmentos. O crédito bruto a clientes atingiu 2.247 milhões de euros (+16% face a junho de 2025).

No crédito automóvel, os juros recebidos ascenderam a 35,8 milhões de euros (+9,6%), com produção de 158,7 milhões (+15,3%) e ganho de quota de mercado. No crédito à habitação, a produção cresceu 35,7% para 198,9 milhões de euros, apesar da descida dos juros recebidos (-8,0%), num contexto de taxas de mercado mais baixas.

O rácio de transformação situou-se em 47,2% no trimestre.

O custo do risco de crédito melhorou ligeiramente para 0,9% no segundo trimestre, beneficiando de recuperações de crédito.

As provisões e imparidades subiram 16% para 10,4 milhões de euros, com o custo do risco a situar-se em 0,9%. O rácio de crédito não produtivo (NPL) manteve-se em 5,4%, com melhoria da cobertura específica para 48,6%.

O banco mantém níveis elevados de solvabilidade e liquidez. O rácio CET1 e o rácio de capital total situaram-se em 20,6% (incluindo o resultado do período), o rácio de alavancagem em 5,1%, o LCR em 1.004% e o NSFR em 244%, todos largamente acima dos mínimos regulamentares.

O rácio MREL-RW era de 29,6% no final de junho, acima do requisito de 24,66%. Em abril, o Banco CTT concluiu com sucesso a emissão de 60 milhões de euros de obrigações senior preferred, com maturidade de 3,5 anos e opção de reembolso antecipado ao fim de 2,5 anos. A emissão foi subscrita por mais de 20 investidores institucionais de quatro jurisdições europeias e ficou sobre-subscrita em 1,4 vezes.

O número de contas bancárias situava-se em 698.793 no final do semestre e a rede contava com 212 balcões.