A gigante petrolífera saudita Aramco anunciou hoje um aumento de 44% nos lucros líquidos no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela subida dos preços do petróleo devido à guerra no Médio Oriente.

Estes resultados surgem numa altura em que a guerra no Médio Oriente continua a alimentar a volatilidade nos mercados de energia, com o petróleo e o gás a oscilarem entre fortes subidas e pesadas perdas ao sabor dos desenvolvimentos do conflito.

A guerra contra o Irão, lançada no final de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel, levou, em retaliação, ao bloqueio por parte de Teerão do estreito de Ormuz, por onde transita habitualmente cerca de um quinto do consumo mundial de hidrocarbonetos, provocando uma queda abrupta no abastecimento e uma escalada nos preços.

Em julho, os rebeldes Huthis do Iémen, apoiados pelo Irão, anunciaram um bloqueio marítimo contra os seus opositores sauditas no mar Vermelho.

A Aramco, uma das empresas mais valiosas do mundo, indicou num comunicado que o lucro líquido atingiu os 122,6 mil milhões de riais sauditas (28,4 mil milhões de euros) no segundo trimestre de 2026, contra 85 mil milhões de riais (19,7 mil milhões de euros) no mesmo período em 2025.

“Apesar das perturbações sem precedentes no abastecimento através do estreito de Ormuz, continuámos a demonstrar a nossa capacidade de assegurar a continuidade das nossas atividades, apoiando-nos na diversidade dos nossos ativos e numa planificação levada a cabo ao longo de várias décadas, nomeadamente graças a infraestruturas estratégicas como o oleoduto Leste-Oeste, as nossas capacidades de armazenamento e os nossos terminais de exportação”, declarou o presidente da Aramco, Amin H. Nasser, em comunicado.

A Aramco forneceu milhões de barris de petróleo bruto diariamente aos mercados graças ao oleoduto Leste-Oeste, que liga as suas instalações energéticas no Golfo aos terminais de exportação no mar Vermelho.

A retoma das hostilidades no Médio Oriente em julho provocou, contudo, uma nova quebra na navegação no estreito de Ormuz, bem como um aumento dos riscos no mar Vermelho, o que deverá traduzir-se numa quebra no número de barris produzidos.

Por volta da 01:00 em Lisboa, o barril de petróleo WTI norte-americano subiu 0,49% para 80,73 dólares (70,2 euros), enquanto o Brent do mar do Norte, referência mundial, avançava 0,6% para 84,27 dólares (73,2 euros).

Os preços recuperaram após uma queda forte na véspera, alimentada pelas expectativas de negociações entre Irão e Estados Unidos. O Brent chegou a ultrapassar brevemente os 100 dólares (86,90 euros) no final de julho.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que decorrem “neste preciso momento” negociações com o Irão, apesar do desmentido de Teerão pouco antes, garantindo que estas conversações representam “a última oportunidade” para o país alcançar um bom acordo.