No mais recente Coface Risk Review, a seguradora Coface classifica Portugal entre as economias mundiais com menor risco de incumprimento empresarial, destacando a sua resiliência num contexto global marcado por incertezas geopolíticas e económicas.

Na Europa, Portugal ostenta a classificação A2 (risco baixo), juntando-se a Espanha, Países Baixos, Bélgica e Suécia como os únicos países europeus com esta avaliação. Em contraste, grandes economias como Alemanha, França e Reino Unido permanecem na categoria A3 (risco satisfatório).

A lista da Coface, atualizada quadrimestralmente, analisa o risco de incumprimento das empresas em 160 países, com base em indicadores macroeconómicos, financeiros, políticos e de insolvência empresarial. As economias são classificadas em oito níveis de risco, de A1 (muito baixo) a E (extremo).

Internacionalmente, a Coface reduziu a classificação de risco de oito países, incluindo Indonésia, Malásia, Filipinas, Vietname e Kuwait, que desceram de A4 para B, refletindo o impacto do conflito no Médio Oriente e das tensões no fornecimento energético. Fora da Europa, Portugal partilha a classificação A2 com economias desenvolvidas como Estados Unidos, Japão e Austrália, consolidando a sua posição entre os países com menor risco para a atividade empresarial.

A Coface salienta que Portugal tem sido uma das economias mais dinâmicas da zona euro, com uma recuperação robusta no segundo trimestre de 2026, registando um crescimento do PIB de +0,8% em termos trimestrais, muito acima dos +0,2% da Alemanha, França e Itália. Este dinamismo é impulsionado principalmente pelos fundos europeus e pelo consumo das famílias, sustentado por uma taxa de desemprego de 5,6%, a mais baixa desde 2001. A imigração tem desempenhado um papel crucial, representando 47% dos novos postos de trabalho nos últimos 12 meses.

Os indicadores de confiança continuam positivos no retalho, construção e serviços, e o turismo mantém-se dinâmico, beneficiando da imagem de ‘destino seguro’. No entanto, a indústria transformadora continua a ser o ponto fraco da economia portuguesa, com a produção industrial no mesmo nível de há três anos e 5% abaixo do pico de meados de 2022, devido a dificuldades nos setores químico, vestuário, mobiliário e automóvel.

Apesar destes desafios, as insolvências empresariais em Portugal mantêm-se abaixo dos níveis pré-pandemia (-8%), uma exceção notável na Europa. A Coface prevê que, embora o crescimento económico possa moderar em 2026, Portugal continuará a apresentar um comportamento sólido, apoiado pelo consumo privado e investimento, situando-se entre as economias com melhor desempenho na zona euro.