A Procuradoria Europeia abriu um processo de verificação sobre as adjudicações da Polícia Judiciária realizadas com a Construbarcelos, empresa de construção civil no centro da polémica com Luís Neves, atual ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional daquela polícia.

A notícia foi avançada pela CNN Portugal. A PJ não responde a qualquer pergunta sobre esta notícia: “Não temos qualquer comentário a fazer”, disse uma fonte oficial ao canal televisivo. A CNN Portugal refere que, até ao momento, foram feitas apenas diligências de recolha de dados, sem acesso a medidas intrusivas como quebras de sigilo bancário ou escutas telefónicas, que só poderão avançar caso seja formalmente iniciado um inquérito crime.

O mesmo meio aponta ainda que estas diligências estão a ser feitas no máximo sigilo e que a averiguação preventiva terá avançado sem ser comunicada ao procurador-geral da República, Amadeu Guerra.

A Construbarcelos realizou várias empreitadas em edifícios da PJ enquanto o ministro foi diretor nacional desta instituição, entre junho de 2018 e fevereiro de 2026. Insistindo na semana passada que só conheceu o dono da empresa sediada em Barcelos em 2023, já depois de este ter realizado várias obras para a PJ, Luís Neves sustentou que, embora a relação contratual possa suscitar dúvidas, nunca existiu qualquer favorecimento.

“A Construbarcelos nunca teve peso determinante ou sequer relevante na contratação da Polícia Judiciária”, alegou o ministro, precisando que o valor dos contratos celebrados entre 2019 e 2025 entre a força policial e a construtora “representaram apenas 8%” do valor global de 27 milhões de euros adjudicados por aquela instituição no mesmo período. “Depois de conhecer o senhor João Carvalho, esta empresa representou apenas cerca de 4% do valor das empreitadas contratadas pela instituição, obras complementares a contratos que já se encontravam em execução”, frisou.