Esta sexta-feira começa a negociar em bolsa uma das empresas mais valiosas no mundo, a SpaceX. Com a forte procura que a operação está a ter, é possível que a empresa comece a negociar em bolsa valendo o equivalente a todo o mercado de ações alemão! Mas, como sabemos, não é a única empresa relacionada com Inteligência Artificial (IA) que pretende estar cotada.

A Open AI, dona do Chat GPT, ou a Anthropic, dona do Claude, também pretendem valorizações próximas ou superiores a um trilião de dólares. Para colocar em contexto, a empresa mais valiosa da Europa é a ASML, que vale “apenas” 600 mil milhões de euros.

A disparidade do investimento entre EUA e Europa é de tal ordem que a Europa não tem qualquer hipótese de influenciar o futuro nesta área. Os investimentos anunciados pela Comissão Europeia somam 200 mil milhões de euros, para financiar startups, investigação, centros de computação para treinar modeles, entre outros.

São muitas as perguntas. Como competir com o projeto Stargate nos EUA que, só por si, vale 500 mil milhões de dólares, tendo já angariado para cima de 100 mil milhões? Como competir entre anúncios e concretizações?

A Europa continua a autorregular-se esquecendo-se da competição a nível mundial, do mundo mais fragmentado entre China e EUA e do potencial de perda para as empresas europeias que terão de pagar a estas empresas para a utilização de modelos de IA avançados, sob pena de desaparecerem da cena global.

Não fomos capazes de criar concorrentes da Amazon, Microsoft, Google, muito porque os europeus não foram ensinados, nem incentivados, a investir no mercado de capitais. É aqui que os EUA continuam a ter a sua força – um mercado financeiro único e integrado, com entrada de capital todos os meses através dos planos de investimento dos trabalhadores, que financiam o crescimento e ambição das empresas, sem medo, e, como vemos pela subida dos mercados, muito bem recompensados.

A Europa deveria deter 10% a 20% das ações em empresas americanas que já estão na dianteira, garantindo assim algum poder de decisão. Ao mesmo tempo, deve focar-se na retenção do talento europeu que migra para zonas com maior atratividade fiscal e condições de vida.

A verdade é que, enquanto estivermos focados na regulação europeia, em interpretações nacionais, fiscalidade complexa e distinta de país para país, e na própria incompreensão por parte dos políticos europeus do funcionamento do mercado, muitas vezes comparado com jogo e casino, nada irá mudar. A verdade é que já perdemos. A Europa já perdeu.