A central nuclear de Almaraz, situada em Cáceres, deu um passo decisivo para prolongar a sua atividade até 2030, após o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) emitir um parecer favorável à renovação da licença de operação, segundo avançou o jornal espanhol elEconomista.es.
Segundo o regulador, a avaliação concluiu que a infraestrutura mantém condições adequadas de segurança para continuar em funcionamento. O parecer positivo abrange os dois reatores da central e baseia-se numa análise técnica extensa, que inclui o estado de envelhecimento dos equipamentos, os planos de gestão do ciclo de vida e o cumprimento das normas ambientais e de segurança, de acordo com a mesma fonte.
Apesar da aprovação, o CSN introduziu algumas recomendações, nomeadamente a necessidade de garantir níveis adequados de pessoal em funções críticas para a segurança. Ainda assim, não foram exigidos novos investimentos adicionais além dos já previstos pelas empresas proprietárias — Iberdrola, Endesa e Naturgy — que tinham solicitado formalmente a extensão da operação em outubro do ano passado, diz a mesma fonte.
De acordo com o jornal, o organismo regulador irá agora remeter ao Governo espanhol cerca de 29 documentos técnicos, num total de aproximadamente 600 páginas, que detalham todas as análises realizadas durante o processo.
A decisão final sobre a continuidade da central cabe ao Ministério da Transição Ecológica, que irá estudar o relatório antes de se pronunciar. Fontes do ministério indicam que o processo ainda não está concluído e que será necessária uma avaliação adicional sobre o impacto da prorrogação no sistema energético.
Nesse sentido, outro passo importante será a solicitação de um parecer à Red Eléctrica de España, responsável pela gestão do sistema elétrico, para avaliar se a manutenção de Almaraz é compatível com a segurança do abastecimento energético do país.
O Governo espanhol tinha definido três condições principais para autorizar a extensão da vida útil da central: garantir a segurança nuclear, evitar custos adicionais para os consumidores e assegurar a estabilidade do fornecimento elétrico.
Segundo a informação disponível, as duas primeiras condições já estarão cumpridas, restando agora a avaliação do impacto no sistema energético.
Assim, embora o parecer do CSN represente um avanço significativo, o futuro da central de Almaraz dependerá da posição final do Governo espanhol e dos resultados das análises complementares ainda em falta.