Os resultados do segundo trimestre das Seis Magníficas da área tecnológica (Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta, Apple e Nvidia) foram uma prova de vida para o negócio da inteligência artificial (IA). Depois das dúvidas dos investidores e do sell-off que assustou todos no início de julho, veio a redenção. Desde que divulgaram contas, valorizaram-se em 1,40 biliões de dólares (cerca de 1,21 biliões de euros), em conjunto.
A Alphabet, dona do Google, foi a primeira a apresentar contas, a 22 de julho. Apresentou um crescimento de 24% das receitas, face ao segundo trimestre de 2025, para 119,8 mil milhões de dólares (103,9 mil milhões de euros). Foi o 12.º trimestre consecutivo de crescimento a dois dígitos. O maior crescimento veio da Google Cloud: as receitas aumentaram 82%, para 24,8 mil milhões de dólares (21,5 mil milhões de euros), enquanto o resultado operacional mais do que triplicou, de 2,8 para 8,8 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros), e a margem cresceu de 20,7% para 35,6%. Apesar do aumento do capex previsto para o ano, de 180-190 mil milhões para 195-205 mil milhões de dólares, as ações valorizaram-se 3,6%, acrescentando 149 mil milhões de dólares à capitalização, que ronda agora 4,33 biliões de dólares.
Uma semana depois, a 29 de julho, Microsoft e Meta apresentaram contas e confirmaram que a IA não só pode ser monetizada como isso estava a acontecer. As receitas da Microsoft subiram 18%, para 90 mil milhões de dólares, apoiadas no crescimento do negócio de IA. A Microsoft Cloud avançou 27%, para 59,3 mil milhões de dólares, enquanto a divisão Intelligent Cloud, que inclui o Azure, cresceu 32%, com as vendas do Azure e de outros serviços de cloud a aumentarem 43%. Os investidores gostaram dos números: a gigante tecnológica fechou a sessão bolsista seguinte com o maior ganho diário de sempre para uma cotada, adicionando quase 450 mil milhões de dólares à sua capitalização. Desde que apresentou resultados, valorizou-se 28,03%, valendo mais 814,9 mil milhões de dólares, para uma capitalização de 3,72 biliões de dólares.
As receitas da Meta aumentaram 28%, para 60,8 mil milhões de dólares. O forte crescimento das vendas não se traduziu, contudo, numa melhoria dos resultados, porque os custos e despesas subiram 55%, levando o resultado operacional a cair 8% e o lucro a diminuir 14%, para 15,8 mil milhões de dólares. A Meta subiu também o teto mínimo do capex para 2026, de 125 para 130 mil milhões de dólares. Mesmo assim, os títulos valorizaram-se 1,11%, um acréscimo de 16,7 mil milhões de dólares ao valor da empresa.
No dia seguinte, a Amazon confirmou as expectativas do setor, com receitas de 200,6 mil milhões de dólares, mais 20% do que um ano antes. A Amazon Web Services (AWS) destacou-se: a faturação aumentou 37%, para 42,2 mil milhões de dólares, o ritmo mais elevado em 18 trimestres, enquanto o resultado operacional subiu 63%. No conjunto do grupo, o resultado operacional avançou 43% e o lucro mais do que triplicou, para 62,6 mil milhões de dólares. A cotação subiu 16,55%, valorizando a empresa em 425 mil milhões de dólares, para 2,993 biliões de dólares.
Só a Apple, que também apresentou resultados a 30 de julho, destoa. A cotação perdeu 6,03%, caindo 295,8 mil milhões de dólares em valor, para 4,611 biliões de dólares, perdendo o estatuto de mais valiosa para a Nvidia, outra vez. Isto apesar de apresentar um crescimento de 16% das receitas, para 109,4 mil milhões de dólares, com destaque para os serviços, embora as vendas do iPad tenham recuado 6%. O resultado operacional avançou 27% e o lucro aumentou igualmente 27%, para 29,8 mil milhões de dólares.
Falta a Nvidia, que ainda não apresentou contas, fá-lo-á a 26 de agosto. Mas os investidores percebem que, se o negócio da IA está a crescer, os chips da Nvidia estão no seu centro e isso significa mais negócio. Desde que a Alphabet iniciou o ciclo de resultados, as ações da empresa liderada por Jensen Huang valorizaram-se 5,61%, um ganho de 290,3 mil milhões de dólares, avaliando a empresa em 5,463 biliões de dólares. É a cotada mais valiosa do mundo.
Em conjunto, estas Seis Magníficas valem 19,63 biliões de euros, mais 17% do que o conjunto das 600 maiores empresas europeias cotadas que integram o STOXX Europe 600, avaliado em 16,76 biliões de euros. Os resultados demonstram que a IA está a gerar receitas e a impulsionar a confiança dos investidores, apesar dos receios sobre os elevados investimentos em infraestrutura.