O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, e o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, participam, terça-feira, no II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, dedicado à transição energética, minerais críticos e oportunidades de investimentos bilaterais.

Promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pela União Europeia, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o encontro em Brasília reunirá representantes dos setores público e privado dos dois blocos.

Segundo os organizadores, o fórum discutirá parcerias estratégicas num intercâmbio comercial bilateral que já movimenta cerca de 100 mil milhões de dólares (87,2 mil milhões de euros na cotação atual) por ano.

Um dos principais temas será a cooperação na cadeia de minerais críticos, com debates sobre financiamento europeu para o desenvolvimento tecnológico e o processamento industrial sustentável dessas matérias-primas no Brasil.

Na sexta-feira, durante uma visita a São Paulo, Síkela defendeu a construção de uma aliança estratégica com o Brasil centrada na exploração e processamento local de terras raras e matérias-primas críticas.

Em declarações à agência EFE, o responsável europeu afirmou que a União Europeia procura diversificar as suas cadeias de abastecimento para evitar “dependências perigosas” de países que possam transformar essa dependência numa “arma”.

Síkela citou como exemplo as consequências da pandemia da covid-19 e da guerra na Ucrânia, defendendo a diversificação como forma de reduzir vulnerabilidades e custos económicos.

A programação do fórum também inclui debates sobre o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, transição energética, bioeconomia, infraestrutura, digitalização e logística, além da apresentação de estudos sobre os impactos económicos do acordo comercial entre os dois blocos.

Terras raras é um conjunto de 17 elementos químicos encontrados em abundância em vários países, e são utilizados essencialmente para tecnologia de ponta e fundamentais para a transição energética.

Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil, o país tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, o que coloca o gigante da América Latina em posição privilegiada no tabuleiro geopolítico.

A Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão regulador do setor mineiro do Brasil, conta atualmente com 3.500 requerimentos para pesquisa de terras raras.