O líder do PS, Pedro Nuno Santos, conhecido pelo apelido Carneiro, afirmou esta terça-feira que o Partido Socialista está disponível para aprovar a Prestação Social Única (PSU), desde que o Governo “deixe cair a sua desumanidade”. Em declarações aos jornalistas após uma reunião com associações de solidariedade, Carneiro defendeu que a proposta do executivo precisa de ser ajustada para “garantir um apoio mais eficaz e mais justo aos mais vulneráveis”.
O socialista criticou o que considera ser uma abordagem “fria e tecnocrática” do Executivo liderado por Luís Montenegro, sublinhando que a PSU não pode ser usada como “um instrumento de poupança orçamental à custa dos pobres”. Segundo Carneiro, o PS apresentou várias propostas de melhoria ao texto inicial, incluindo a manutenção de complementos para famílias numerosas e pessoas com deficiência, bem como um faseamento mais gradual na transição do atual sistema de prestações para o novo modelo.
“O Governo insiste em cortar onde não deve. Nós queremos uma PSU que una, que não deixe ninguém para trás. Se houver essa vontade política, estamos cá para aprovar”, declarou.
O debate em torno da Prestação Social Única tem dominado a agenda política nas últimas semanas, com o PS a mostrar-se crítico, mas disponível para negociação. A proposta governamental prevê a fusão de vários apoios sociais num único pagamento mensal, com o objetivo de simplificar o sistema e reduzir a burocracia.
O líder do PS reiterou que a sua bancada parlamentar não fechará a porta ao diálogo, mas deixou um aviso: “Se o Governo mantiver a sua rigidez e desumanidade, terá de assumir sozinho a responsabilidade pelo falhanço da medida.”