Wall Street encerrou esta terça-feira, 28 de julho, maioritariamente em terreno positivo, com o Dow Jones a somar a terceira sessão consecutiva de ganhos, impulsionado pela recuperação de setores mais sensíveis à economia doméstica, pela descida acentuada do petróleo e por uma bateria de resultados trimestrais acima do esperado. O Nasdaq foi a exceção, penalizado por um novo dia de vendas maciças nos fabricantes de semicondutores.
O Dow Jones subiu 537,24 pontos, ou 1,03%, para os 52.747,32 pontos, alcançando a terceira sessão consecutiva de ganhos. A Sherwin-Williams liderou os ganhos do índice, valorizando cerca de 8% depois de resultados do segundo trimestre acima do esperado
O S&P 500 somou 0,21% para os 7.428,78 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 0,22% para os 24.876,91 pontos. O tecnológico chegou a aproximar-se de uma correção técnica ao longo da sessão, antes de recuperar parte das perdas.
A pressão sobre os semicondutores manteve-se intensa: o setor tecnológico tombou 3,8%, arrastado por uma nova queda de 6,4% no índice de semicondutores. O sell-off no setor acelerou ao longo de julho, com o Nasdaq 100 a acumular uma correção de 10% e os semicondutores a cair mais de 23% no mês. O movimento teve origem nos mercados asiáticos: o índice Kospi da Coreia do Sul afundou 10,84% e o Nikkei japonês perdeu cerca de 2.566 pontos (3,95%), penalizados pelas fabricantes de memória.
Do lado positivo, nove dos onze setores do S&P 500 fecharam em terreno positivo. Os bens de consumo essenciais subiram 3,7%, ajudados pelos resultados da Coca-Cola, a saúde valorizou 3% e os materiais ganharam 2,2%.
A Coca-Cola valorizou 5,04% depois de rever em alta as previsões anuais de receitas e lucros, enquanto a Boeing (+4,74%), a Ford (+1,87%) e a PayPal (+4,01%) também subiram após a divulgação de resultados trimestrais.
Petróleo afunda cerca de 5% com avanços nas negociações sobre o Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo prolongaram as quedas dos últimos dias, com o Brent a recuar 4,83% para 84,09 dólares por barril e o WTI a cair 4,06% para 79,26 dólares — a terceira sessão consecutiva de perdas, com o crude a acumular uma queda de cerca de 17% desde os máximos recentes.
A descida reflete sinais de distensão nas negociações regionais em torno do Estreito de Ormuz. Omã apresentou ao Irão, no fim de semana, uma proposta para um “mecanismo regional” conjunto para gerir a via marítima, prevendo o pagamento de taxas voluntárias por parte das empresas de navegação. A Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU afastou-se, no entanto, do processo, sublinhando que qualquer alteração às rotas reconhecidas deve ser submetida à apreciação dos Estados-membros.
O dossier ganhou também uma dimensão multilateral: o ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, reuniu-se por videoconferência com os homólogos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar e Bahrein — todos membros do Conselho de Cooperação do Golfo — para trocar impressões sobre a evolução das negociações.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país propôs a Omã um acordo temporário para reabrir o estreito, com o tráfego marítimo a repartir-se por águas iranianas em ambos os sentidos.
Por outro lado, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniram-se hoje na Casa Branca para conversações fechadas à porta que Netanyahu descreveu como “uma das melhores conversas” que já tiveram.
Noutra guerra, o presidente ucraniano, Zelensky, reuniu-se com o líder norte-americano, na Casa Branca.
Os investidores mantiveram-se também atentos ao arranque da reunião de dois dias do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC), com a decisão da Fed, sob a liderança do novo presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, a ser conhecida na quarta-feira.
A decisão da Fed, prevista para as 14h00 (hora de Washington), será seguida da conferência de imprensa de Warsh às 14h30, num momento em que Wall Street continua a digerir o duplo choque da rotação setorial nos chips e da incerteza geopolítica no Golfo Pérsico.