A Fidelidade está empenhada em ser cotada em bolsa. Tudo está a ser preparado para que uma Oferta Pública Inicial (IPO) aconteça no próximo ano. A seguradora escolheu o banco de investimento que vai ser o assessor financeiro independente — o francês Lazard — e o objetivo, segundo apurou o Jornal Económico (JE), é que seja vendida em bolsa uma percentagem de capital entre os 34% e os 35%.

Isto, porque a Fidelidade quer ter um free float suficiente para entrar no PSI, já que hoje muitos investidores aplicam capital em ETF que replicam índices de mercado.

Os requisitos para entrar no PSI, principal índice da Bolsa de Lisboa, passam por uma capitalização mínima em free float de 100 milhões de euros. Além disso, a “trading velocity” mínima de 10% do free float anual é um dos critérios de liquidez. O free float mínimo exigido para entrada no PSI é de 15% do capital da empresa.

Portanto, a operação terá de obedecer a duas condições: uma é a Fosun não perder a maioria do capital e a outra é haver liquidez suficiente para entrar no índice bolsista. A venda de 35% deixa a Fosun com 50% da Fidelidade (51% no caso de vender 34%).

O problema é que nesta participação de 34% ou de 35% terá de estar incluído o investimento que a Caixa Geral de Depósitos já admitiu ter disponibilidade para fazer. A CGD quer reforçar a participação acionista na Fidelidade, que atualmente é de 15%, porque considera a seguradora um bom ativo e porque fortalece a relação de distribuição de seguros que já existe.

O banco liderado por Paulo Macedo poderá aumentar a sua posição até 30%, embora o próprio CEO tenha afirmado publicamente que não existem negociações em curso com a Fosun e que a CGD analisará a hipótese ‘se houver um IPO’. A entrada da CGD faria dela um cornerstone investor.

A Bloomberg noticiou que o IPO poderá avaliar 100% da Fidelidade em cerca de 3,5 mil milhões de euros — valor que vai ao encontro do que revelou o CEO da companhia de seguros, Rogério Campos Henriques, que afirmou que o valor poderá ser ‘bastante superior’ a três mil milhões de euros.

Caso se concretize, a entrada da Fidelidade no PSI representaria a primeira grande cotação desde 2021, ano em que a Greenvolt integrou o então PSI-20. Atualmente, o benchmark nacional conta apenas com 16 empresas cotadas. A operação será vista como um momento importante para o mercado de capitais português e um passo relevante na estratégia de desinvestimento parcial da Fosun.

Os planos iniciais da Fidelidade previam uma entrada em bolsa já em 2025, com a Luz Saúde a ser a primeira a cotar em bolsa. Esse projeto acabou por não avançar, já que a gestora de hospitais privados foi vendida ao fundo australiano Macquarie por cerca de 310 milhões de euros.