O estudo ‘Human Capital Trends 2026’, da Deloitte, revela um paradoxo no mundo empresarial: 85% das organizações pretendem aumentar o investimento em inteligência artificial (IA), mas apenas 7% se considera preparada para a velocidade da mudança tecnológica.

A pesquisa, que analisa seis grandes tendências tecnológicas, económicas e sociais, mostra que a rápida evolução da IA está a testar a capacidade de adaptação das empresas, especialmente em termos de recursos humanos, estruturas e cultura organizacional. Segundo a Deloitte, as empresas que liderarão o mercado português serão aquelas que conseguirem usar a IA para potenciar o talento humano.

De acordo com o comunicado da consultora, 70% dos empresários assumem como principal estratégia competitiva para os próximos três anos ‘ser ágil e rápido’, visando responder a um mercado em mudança e às necessidades do negócio e dos clientes. Um terço dos líderes empresariais inquiridos reportou 15 mudanças significativas apenas no último ano.

Inês Vaz Pereira, partner da Deloitte, destaca que está em causa uma ‘transformação estrutural na forma como o trabalho é pensado e executado’. ‘A rápida velocidade a que as mudanças económicas, sociais e, especialmente, tecnológicas acontecem tem exigido às organizações uma capacidade de adaptação fora do comum, em muitos casos até para além do possível’, afirmou.

O estudo sublinha que ‘o verdadeiro diferencial competitivo deixa de estar apenas na tecnologia e passa a residir na capacidade de desenvolver o chamado human advantage, combinando tecnologia com adaptabilidade, confiança e cultura organizacional’. A Deloitte alerta ainda que 65% das organizações reconhecem que a sua cultura precisa de mudar significativamente por causa da IA, mas muitas ainda não avaliam devidamente o impacto da tecnologia nas dinâmicas humanas, como confiança, colaboração e sentido de pertença.