O Bloco de Esquerda (BE) enfrenta uma das maiores debandadas da sua história recente. Um grupo de 60 militantes, entre os quais figuras históricas como Mário Tomé e Pedro Soares, anunciou a saída do partido, acusando a liderança de ter transformado o BE numa estrutura irreconhecível, afastada dos seus princípios fundadores.
Num comunicado conjunto, os ex-dirigentes e antigos deputados apontam o dedo à centralização das decisões, à perseguição de vozes críticas internas e à perda de ligação ao eleitorado. "O nosso BE acabou", afirmam, justificando a rutura como um ato de coerência política perante o que consideram ser um desvio ideológico e organizativo.
Mário Tomé, ex-deputado e uma das caras mais conhecidas do partido, sublinhou que a saída não é um ato contra a esquerda, mas sim contra a "deriva autoritária" da atual direção. Pedro Soares, também antigo deputado, acrescentou que o BE "perdeu a capacidade de dialogar com a sociedade e de construir alternativas credíveis".
A direção do Bloco de Esquerda já reagiu, lamentando a decisão e criticando o que classifica como uma "saída programada e anunciada na comunicação social", sugerindo que o grupo já teria preparado o terreno para o abandono. Ainda assim, a liderança garante que o partido se manterá focado na sua ação política e na preparação para os próximos desafios eleitorais.
Esta cisão ocorre num momento em que o BE enfrenta dificuldades de afirmação no espectro político português, com quedas na intenção de voto e uma crescente concorrência de outras forças à esquerda, como o Livre e a CDU. A saída de quadros históricos pode agravar a crise interna e obrigar a uma reflexão profunda sobre o futuro do partido.