Abrantes vai avançar com verbas municipais para recuperar infraestruturas danificadas pela tempestade Kristin e pelas cheias, seis meses após as intempéries, por continuar sem garantia de novos apoios estatais, disse hoje o presidente da Câmara.
“Nas situações mais urgentes estamos a desenvolver procedimentos e projetos e vamos avançar, obviamente, com dinheiro municipal, mas queremos acreditar que vamos ter mais apoios governamentais”, afirmou Manuel Jorge Valamatos.
O autarca falava aos jornalistas após a reunião do executivo municipal de Abrantes, no distrito de Santarém, onde foi aprovada a atribuição de 150 mil euros à Junta de Freguesia do Carvalhal para o arranque da construção de um pavilhão multiusos destinado a substituir estruturas destruídas pela tempestade Kristin.
Quase seis meses após os fenómenos meteorológicos que afetaram o concelho, Valamatos afirmou que a situação permanece praticamente inalterada, estimando que o município tenha recebido apenas cerca de 1 milhão de euros (ME) para fazer face a prejuízos superiores a 16 ME.
“O apoio é absolutamente diminuto, insuficiente para aquilo que é a resposta que o município tem que dar”, sustentou.
Segundo o autarca, os danos abrangem estradas, pontões, parques infantis, zonas de lazer, iluminação pública, o açude de Abrantes, linhas de água e outros equipamentos públicos, muitos dos quais continuam por recuperar.
Valamatos voltou a defender que Abrantes foi particularmente penalizado pela forte pluviosidade e pelas cheias que se seguiram à tempestade Kristin, considerando que a resposta governamental se concentrou sobretudo nos danos provocados pela depressão e nas habitações permanentes.
“Entendemos que os municípios que foram afetados pelas cheias, e particularmente Abrantes, ainda não tiveram um olhar atento”, afirmou.
O autarca revelou ainda que continua sem se conseguir reunir com a ministra do Ambiente, indicando que o encontro para discutir intervenções nas linhas de água, previsto para 30 de julho, foi adiado pela terceira vez.
“Torna-se absolutamente urgente reunir com a senhora ministra e com a Agência Portuguesa do Ambiente para tomarmos decisões e encontrarmos mecanismos de apoio”, declarou.
Entre as prioridades apontadas estão intervenções em ribeiras e linhas de água, cuja responsabilidade cabe maioritariamente à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), bem como a recuperação de várias estradas municipais afetadas por deslizamentos de terras provocados pela saturação dos solos.
O município aguarda igualmente o cumprimento do calendário apresentado pela Infraestruturas de Portugal (IP) para as intervenções previstas na Estrada Nacional (EN) 2, na zona de Espinhaço de Cão, e na EN118, entre Tramagal e Rossio ao Sul do Tejo.
“Queremos que esse calendário seja cumprido”, afirmou, considerando que a situação da EN2 “afeta a vida dos cidadãos, mas também a economia local e regional”.
Entre as obras consideradas mais complexas pelo município está a recuperação da estrada entre Martinchel e Constância, onde a autarquia pretende repor primeiro a circulação alternada antes de avançar para uma intervenção definitiva de estabilização da encosta.
Apesar dos atrasos na recuperação de parte das infraestruturas, Manuel Jorge Valamatos assinalou que alguns equipamentos públicos já voltaram a funcionar, apontando como exemplo a reabertura do Jardim do Castelo, embora reconheça que continuam a ser necessárias obras de consolidação da muralha e do talude adjacente.
O presidente da Câmara admitiu esperar que futuros instrumentos de financiamento, designadamente verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), possam comparticipar algumas intervenções estruturantes, mas insistiu na necessidade de apoio direto do Governo.
“Atendendo ao volume de prejuízos financeiros que tivemos, precisamos de outros apoios governamentais, com a mesma equidade que outros municípios têm tido com a depressão Kristin e também com as cheias noutras zonas do país”, concluiu.