Em pouco mais de um ano, uma medida mudou a face do crédito habitação jovem em Portugal. No primeiro trimestre de 2026, cerca de 49,5% dos contratos de crédito assinados por jovens até aos 35 anos recorreram à garantia do Estado. É praticamente um em cada dois. O Governo já reforçou o programa em 750 milhões de euros, elevando o total disponível para 2,3 mil milhões.

Uma procura acima das expectativas

Desde o arranque da medida, no início de 2025, foram assinados cerca de 32,3 mil contratos com garantia pública, num montante total próximo dos 6,5 mil milhões de euros. No final do primeiro trimestre, a maior parte da dotação inicial estava esgotada, o que levou ao reforço. A procura, claramente, superou as previsões.

Como funciona

A garantia destina-se a jovens entre os 18 e os 35 anos, para a compra da primeira casa, desde que o imóvel não ultrapasse os 450 mil euros. O Estado garante até 15% do valor financiado, o que permite ao banco financiar a totalidade da compra e abre a porta a um crédito habitação a 100%, sem o capital próprio que durante anos foi a maior barreira de entrada.

O alerta do regulador

O sucesso trouxe também um sinal de prudência. O Banco de Portugal notou que a parcela de novo crédito habitação concedido a mutuários de maior risco aumentou de 3% em 2024 para 21% em 2025 e prepara-se para rever as regras macroprudenciais, com o objetivo de conter o endividamento das famílias. Não é um travão à medida, mas um ajuste para limitar o risco.

«A garantia pública abriu a porta da casa própria a uma geração que estava de fora. O nosso papel é garantir que quem entra o faz com as contas certas, porque comprar sem entrada significa financiar mais e, por isso, comparar e medir o esforço é ainda mais importante.»
Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação da ComparaJá