O primeiro-ministro Luís Montenegro lançou um desafio direto ao Parlamento, apelando aos deputados para que “assumam responsabilidade” e rompam com o que classifica como “imobilismo” político. Durante uma intervenção, Montenegro reagiu às críticas do partido Livre, que o acusou de governar em sentido contrário ao defendido na nova encíclica do Papa Francisco.

Montenegro assegurou que é “sensível à doutrina social da Igreja” e sublinhou que o seu Governo “não governa a pensar nas sondagens”. O chefe do executivo defendeu que as suas políticas são orientadas por princípios de estabilidade e responsabilidade, e não por interesses eleitorais de curto prazo.

“O país não pode continuar refém de um imobilismo que trava o desenvolvimento e a justiça social”, afirmou Montenegro, instando os partidos com assento parlamentar a colaborarem para aprovar medidas essenciais para o país. O apelo surge num contexto de tensão política, com a oposição a criticar a falta de ambição do Governo em diversas áreas, desde a economia até à habitação.

O primeiro-ministro reiterou que o executivo está disponível para o diálogo, mas exigiu que a Assembleia da República assuma as suas responsabilidades, aprovando legislação que permita avançar com reformas estruturais. A declaração de Montenegro foi vista como uma tentativa de pressionar os partidos a superar divisões e a focar-se nos interesses nacionais.