Montenegro candidata-se a terceiro mandato no PSD
O presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, vai ser reeleito líder do partido neste sábado, 30 de maio de 2026, para um terceiro mandato consecutivo. Sem adversário interno, a votação decorre num ambiente de aparente consenso interno, mas com críticas externas persistentes do ex-líder Pedro Passos Coelho.
As diretas partidárias contam com cerca de 56 mil militantes com direito de voto. Apesar da ausência de oposição formal dentro do partido, a candidatura de Montenegro ocorre num contexto de tensão com a ala mais crítica do PSD, liderada por Passos Coelho, que tem insistido em apontar falhas na governação do executivo PSD/CDS-PP.
Contexto político e objetivo da maioria absoluta
Montenegro tem como declaração estratégica ambicionar a maioria absoluta nas próximas eleições legislativas. O partido governa atualmente em coligação com o CDS-PP e conta com o apoio parlamentar variável do Chega e da Iniciativa Liberal. Fontes próximas do líder garantem que o terceiro mandato servirá para consolidar o projeto político e preparar o terreno para uma vitória mais expressiva.
O ato eleitoral interno decorre entre as 9h e as 20h, em todo o país. A Comissão Política Nacional do PSD acredita numa forte afluência, apesar da falta de competitividade direta. Montenegro já manifestou publicamente a intenção de manter a linha de governação centrista e reformista.
Reações e expectativas
Analistas políticos consideram que a reeleição de Montenegro é um dado adquirido, mas alertam para o desgaste de uma liderança sem contestação interna. O PS, liderado por Pedro Nuno Santos, já afirmou que o PSD está a “virar-se para dentro” enquanto o país enfrenta desafios económicos e sociais. Montenegro, no entanto, deverá usar o congresso do partido, previsto para julho, para anunciar uma remodelação governamental e novas medidas de choque fiscal.
A votação nas diretas do PSD é vista como o primeiro passo para uma campanha mais agressiva rumo a 2027. O objetivo declarado de Montenegro é alcançar a maioria absoluta, algo que o partido não consegue desde 2015.