Os Estados Unidos exigem que a Europa assuma a liderança da sua própria segurança. A exigência foi deixada, sem rodeios e sem que pudessem subsistir dúvidas, pelo secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, no encontro de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO que ocorreu esta quinta-feira em Bruxelas. O secretário da Defesa (e não o secretário de Estado Marco Rubio, o equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros) revelou que os Estados Unidos vão fazer uma revisão da sua posição no seio da aliança ao longo dos próximos seis meses (“ou mesmo antes”), avaliando quer o dinheiro que para ali destinam, quer a presença de tropas norte-americanas nas bases europeias.
Hegseth não deixou de recordar que os Estados-membros europeus recusaram ajudar a ação militar norte-americana no Irão – que apelidou de “uma vergonha” – para enfatizar que há uma espécie de ‘antes e depois’ dessa decisão. E que os aliados europeus terão de se habituar à nova postura que resultará da análise que está a ser feita. Das palavras do secretário da Defesa pareceu ficar explícito – implícito ficou de certeza – que os Estados Unidos vão cortar os níveis de financiamento da aliança e retirar elementos do exército destacados para a Europa. A ‘boleia’ dos Estados Unidos vai acabar.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, elogiou o esforço dos aliados europeus e do Canadá. Em 2025, o investimento destes países subiu mais de 90 mil milhões de dólares (um aumento de quase 20%), referiu na sua intervenção. A meta atual é fazer com que os países gastem 5% do PIB em defesa até 2035.
O encontro servia de preparação para a cimeira de chefes de Estado e de governo que ocorrerá dentro de um mês em Ancara, capital da Turquia – mas o ambiente que Hegseth impôs em Bruxelas, na sede da organização, não deixa antever um encontro cordato.
Portugal em Ormuz: O ministro da Defesa Nacional, presente na reunião, afirmou que Portugal admite integrar operações de desminagem no Estreito de Ormuz com veículos não tripulados e está a estudar o reforço da sua participação nas missões da União Europeia no Médio Oriente. Citado pela Lusa, Nuno Melo referiu que Portugal está a “estudar a possibilidade” de reforçar a sua participação em operações navais no Médio Oriente. O ministro lembrou que Portugal já participou nas operações navais da UE Aspides, no Mar Vermelho, e Atalanta, no Oceano Índico. “Ponderamos a possibilidade de reforço a três níveis. Um: de pessoal, no quartel-general. Segundo: no que tem que ver com a luta antiminas e aí com veículos não tripulados que serão entregues, se assim for decidido oportunamente. E também com a possibilidade de utilização de informações nacionais recolhidas via satélite e subaquáticas para esse esforço”, afirmou. Nuno Melo indicou que “tudo isto que está a ser ponderado e será levado oportunamente a Conselho Superior de Defesa Nacional para que possa, nos termos da lei, ser decidido”. Entretanto, o governo aprovou em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, um novo decreto-lei que eleva a capacidade de recrutamento das Forças Armadas para perto de 31 mil militares (mais concretamente, 30.800).