A NATO quer que as empresas europeias de defesa aumentem o seu investimento e produção, numa altura em que os gastos neste setor pelo velho continente estão debaixo de pressão por Donald Trump.

O secretário-geral da organização, Mark Rutte, vai reunir-se com os principais grupos europeus de defesa em Bruxelas para lançar este apelo: o objetivo é fazer anúncios-chave na cimeira anual da NATO marcada para julho em Ancara, Turquia, revela hoje o “Financial Times”.

A NATO já pediu um ponto de situação a estas companhias sobre grandes investimentos e a sua capacidade de aumentar a produção, em particular na defesa aérea e mísseis de longo alcance.

Apesar de o secretário-geral da NATO reunir-se com regularidade com os executivos de várias companhias de topo, um encontro em conjunto é fora do comum, segundo as fontes consultadas pelo “FT”.

São esperados representantes dos maiores produtores europeus, incluindo a Rheinmetall, Safran, Airbus, Saab, MBDA ou Leonardo.

A NATO quer que estes produtores ajudem a Europa a atingir as metas em termos de gastos com defesa.

Isto numa altura em que Donald Trump sente-se decepcionado com a falta de apoio europeu à sua guerra no Irão.

Em 2025, os membros da NATO concordaram em aumentar os gastos com defesa para os 5% do PIB, uma exigência de Donald Trump.

O eventual anúncio europeu na próxima cimeira vai permitir a Donald Trump reclamar vitória nos seus esforços.

Mark Rutte defende que as companhias de defesa europeias devem investir rapidamente sem estarem à espera de novas encomendas dos governos europeus.

Do lado das empresas, há críticas aos governos por não assinarem contratos suficientes de longo prazo, o que permitiria dar mais visibilidade aos negócios. Por sua vez, os governos acusam as empresas de não aumentarem a produção rapidamente quando necessário.

O secretário-geral também vai procurar saber quais as barreiras identificadas pelas empresas que impedem o aumento de produção.

A falta de mísseis de longa-distância é um dos problemas identificados na Europa. A Alemanha vai comprar mísseis Tomahawk americanos para aumentar as suas defesas contra a Rússia. Isto num momento em que Donald Trump está furioso pelas declarações do chanceler Friedrich Merz sobre a guerra do Irão.

Para atingir os 5% de gastos anuais em defesa, seria preciso aumentar a despesa em um bilião de dólares por ano até 2035 face a 2024.