O primeiro bilionário. Será assim que o nome de Elon Musk será inscrito nos livros se a SpaceX entrar em bolsa com uma capitalização superior a 1,75 biliões de dólares (cerca de 1,54 biliões de euros).

A empresa detém a rede de comunicações por satélite Starlink, que representa mais de dois terços da avaliação, além do negócio de lançamentos para o espaço através dos foguetões Falcon e das cápsulas Dragon e, ainda, o desenvolvimento da Starship, para projetos espaciais mais ambiciosos.

Musk controla pouco mais de 40% da Space X. É aqui que está o grosso da sua fortuna. Também tem uma participação estimada de 12% do construtor automóvel Tesla, avaliada em cerca de 180 mil milhões de dólares (155 mil milhões de euros). Também controla a Neuralink e a Boring Company, com um valor percebido, conjunto, que supera os 20 mil milhões de dólares (17,1 mil milhões de euros). E não se sabe onde encaixa as participações na xAI, que desenvolve inteligência artificial, e na rede social X.

A Forbes atribuiu-lhe, atualmente, uma fortuna de 820,4 mil milhões de dólares (722 mil milhões de euros). Se a entrada da SpaceX em bolsa for um sucesso e a capitalização atingir os 1,75 biliões de dólares, a riqueza de Musk chegará aos 1,02 biliões de dólares (cerca de 870 mil milhões de euros). Só 14 empresas cotadas em bolsa, no mundo, são avaliadas por mais.

Não é o melhor termo de comparação, porque olhamos para stock face a fluxos, mas pondo a fortuna do empresário sul-africano (e norte-americano) ao lado de países, supera o produto interno bruto (PIB) de Taiwan, da Irlanda, Bélgica ou Suécia. O PIB português estimado para este ano é de 335 mil milhões de euros.

O primeiro negócio relevante de Elon Musk foi a Zip2, uma combinação de páginas amarelas, mapas e diretórios empresariais online, criada com o irmão. Em 1999 foi vendida à Compaq por 307 milhões de dólares (270 milhões de euros). Recebeu cerca de 22 milhões de dólares (19 milhões de euros). De 22 milhões ao bilião em 27 anos. Nada mau.

Nunca uma única pessoa concentrou uma riqueza equivalente, em termos nominais, claro. Mansa Musa, imperador do Mali no século XIV, teria uma fortuna calculada, a preços atuais, em 400 mil milhões de dólares (345 mil milhões de dólares), mas num mundo significativamente mais pequeno. A riqueza do nono imperador do Mali era inimaginável. Controlava mais dinheiro do que o resto do mundo conhecido. Dominava um terço do ouro e das pedras preciosas. Conta-se que quando fez a sua peregrinação a Meca, em 1324, levou 60 mil súbditos e 12 mil escravos, 500 dos quais transportavam três quilos de ouro, cada. E uma centena de camelos, cada um arcando com 136 quilos de ouro. A viagem durou quase dois anos e durante o percurso distribuiu tanto ouro que o desvalorizou e provocou um surto inflacionista que abalou a economia do Cairo por anos.

Outro mundo e fortunas que se confundiam com Estados. Na era moderna, ninguém se compara a Elon Musk.