A reunião entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o líder do Chega, André Ventura, terminou sem acordo, segundo informou Ventura aos jornalistas no Parlamento. O encontro, o segundo em uma semana, visava discutir alterações às regras do mercado de trabalho, mas divergências significativas persistiram, especialmente em relação à idade da reforma.

André Ventura afirmou que “até ao momento não foi possível chegar a um entendimento” e que “na questão das reformas, continua a haver uma divergência substantiva entre as posições dos partidos”. O líder do Chega defende a redução da idade de reforma para os 65 anos ou para quando o trabalhador complete 40 anos de descontos, medida considerada “incomportável” pela ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, com um custo anual potencial de pelo menos 2,6 mil milhões de euros.

Atualmente, a idade da reforma é de 66 anos e nove meses, com previsão de aumento para 66 anos e 11 meses no próximo ano. Ventura reconhece a complexidade orçamental, mas mantém a medida como condição para aprovar o pacote laboral.

Outros pontos de discórdia incluem a reposição dos três dias de férias retirados durante o período da Troika, a sua equiparação na administração pública, e a licença para avós cuidarem de netos. O Chega também pressiona pelo fim das subvenções vitalícias políticas, com Ventura a criticar “pagamentos injustos e milionários”. Embora haja “abertura” do PSD para um novo regime, as partes não chegaram a um entendimento.

O pacote laboral será debatido no Parlamento na quinta-feira e votado na generalidade na sexta-feira, caso não haja alterações. Ventura garante que o diálogo continuará nos próximos dias, com contactos técnicos e políticos, na esperança de “chegar a algum resultado apresentável aos portugueses”.