As ações da SpaceX registaram uma valorização de quase 30% desde a sua aguardada estreia no mercado público na passada sexta-feira, demonstrando um forte apetite dos investidores pela “revolução espacial” e pela empresa emblemática de Elon Musk.

Em negociação pré-market, os títulos da tecnológica aeroespacial subiram mais 3%, aproximando-se da marca dos 200 dólares por ação. Este desempenho confere à SpaceX uma capitalização bolsista estimada em cerca de 2,6 biliões de dólares, impulsionada pelo domínio da empresa nos serviços de lançamento orbital, pelas elevadas barreiras à entrada de concorrentes, pela sua liderança tecnológica e pela importância estratégica da rede Starlink, cujo valor prático ficou recentemente demonstrado no conflito na Ucrânia.

De acordo com uma análise de mercado divulgada pela corretora XTB, este forte impulso resultou num prémio de avaliação extraordinário que se torna difícil de justificar através da análise fundamental tradicional, embora o ativo possa continuar a desafiar os quadros de avaliação convencionais se o sentimento do mercado se mantiver favorável.

Caso as ações da SpaceX duplicassem em relação aos níveis atuais e atingissem os 400 dólares, a construtora ultrapassaria a Nvidia em capitalização de mercado.

No entanto, a análise realça que os fundamentais financeiros divergem significativamente: enquanto a SpaceX registou um prejuízo líquido de 4,94 mil milhões de dólares em 2025 (após um lucro inferior a 800 milhões de dólares em 2024), a Nvidia gerou mais de 120 mil milhões de dólares em lucro líquido só no ano de 2025.

Os analistas alertam ainda que, caso o sentimento geral do mercado se deteriore, a realidade económica poderá alcançar a empresa, cujos membros da administração continuam impossibilitados de vender ações devido a restrições de bloqueio (lock-up) por mais alguns meses.

Paralelamente à dinâmica das ações, a SpaceX parece decidida a estabelecer as suas próprias regras no relacionamento com os investidores, quebrando com os canais de comunicação financeira convencionais.

A empresa planeia publicar os seus resultados financeiros exclusivamente no seu site corporativo e na rede social X, contornando as agências e os serviços tradicionais de notícias.

Embora esta estratégia proporcione à SpaceX um maior controlo sobre as mensagens, o momento da publicação e a apresentação da informação, o mercado alerta para o reverso da medalha: os investidores passarão a depender de canais controlados diretamente pela empresa, e alguns participantes que dependem dos sistemas tradicionais de informação financeira poderão enfrentar uma acessibilidade reduzida às divulgações corporativas.