O ecossistema de startups em Portugal registou um aumento no volume total de investimento no primeiro trimestre de 2026, mas esse capital ficou concentrado em menos empresas, revela uma análise da sociedade de capital de risco Ventures.eu. Segundo o managing partner Fernando Ferreira, os dados do Pitchbook indicam que o número de rondas de investimento caiu de 27 para 16, enquanto o valor investido subiu de 77 milhões de euros para 104 milhões de euros.
Duas startups dominaram o período: a Nearing Visabeira, que recebeu 58 milhões de euros da Goldman Sachs, e a Everbio, com 18 milhões de euros da C2 Capital. Juntas, essas duas empresas concentraram 73% do montante total investido. A tendência de concentração reflete-se também ao nível europeu, onde o investimento subiu para 22,5 mil milhões de euros, mas o financiamento em fases iniciais (Seed e Pre-Seed) caiu cerca de 1,75 mil milhões de euros.
Desafios estruturais do ecossistema
Fernando Ferreira destaca que o principal desafio continua a ser a falta de exits, referindo que o último grande exit foi o IPO da Farfetch em 2018. Sem saídas bem-sucedidas, o capital não circula para apoiar novas startups e os trabalhadores não veem as suas stock options a gerar retorno significativo.
O fim dos fundos SIFIDE e o abrandamento do investimento Golden Visa, devido às alterações na Lei da Nacionalidade, representam riscos adicionais. O responsável sugere que parte do capital Golden Visa remanescente seja redirecionado para capital de risco, uma área com potencial transformador. Atualmente, 89% das startups portuguesas dependem de capital nacional como principal fonte de financiamento, segundo o Startup & Entrepreneurial Ecosystem Report 2025 da Startup Portugal.