O Presidente da República avaliou hoje, com os conselheiros das comunidades portuguesas na Venezuela, a situação e as necessidades dos cidadãos nacionais afetados pelos sismos de 24 de junho e manifestou solidariedade à embaixadora venezuelana em Lisboa.

De acordo com uma nota no site da Presidência, António José Seguro promoveu uma reunião, por videoconferência, com os Conselheiros das Comunidades portuguesas das áreas de jurisdição consular de Caracas e Valência, na Venezuela, para um ponto de situação sobre o impacto dos recentes sismos naquele país e sobre as necessidades dos cidadãos portugueses e lusodescendentes ali residentes.

O número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos que atingiram a Venezuela em 24 de junho subiu para 84, havendo ainda 63 desaparecidos, segundo o balanço hoje divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

De acordo com o MNE, entre os 84 mortos – 72 dos quais tinham também nacionalidade venezuelana – estão 15 crianças e 69 adultos.

Segundo a nota, o chefe de Estado exprimiu aos conselheiros portugueses solidariedade com a população afetada e tomou nota das preocupações veiculadas por estes, tendo reiterado o empenho do Estado Português em acautelá-las.

Também hoje, Seguro recebeu a embaixadora da Venezuela em Lisboa, Mary Flores, a quem reiterou o seu pesar relativamente à perda de milhares de vidas humanas, tendo lamentado igualmente o elevado número de pessoas feridas e desaparecidas.

O Presidente manifestou ainda solidariedade com o povo venezuelano e deu conta dos esforços em curso em Portugal no sentido de contribuir para mitigar as consequências desta tragédia.

O número de mortos no país devido a estes sismos subiu para 2.295, segundo o mais recente balanço oficial divulgado pelas autoridades venezuelanas, que registam também 12.400 feridos.

Antes da divulgação dos novos dados oficiais, a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou sete dias de luto nacional.

Portugal também decretou domingo dia de luto nacional, nomeadamente pelos cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram na sequência do duplo sismo que atingiu a Venezuela.

Para ajudar o país, onde estão já socorristas portugueses, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, anunciou quarta-feira que dois aviões da força aérea portuguesa estão prontos para arrancar com ajuda à Venezuela e deverão partir até terça-feira.

Já hoje, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, precisou à comunicação social, em Lisboa, que, nesses dois aviões, vão carregamentos de medicamentos e outros meios de assistência humanitária e duas ambulâncias.

Os dois aviões da Força Aérea Portuguesa levarão seis toneladas de medicamentos, 15 toneladas de material de higiene, material de conforto e de saneamento e duas ambulâncias completamente equipadas para darem assistência naquilo que nós chamamos agora o médio prazo.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.