A Galeria Vera Cortês vai encerrar no dia 19 de dezembro, depois de 23 anos de operação, anunciou a galerista que lhe dá nome. Em comunicado, a galerista Vera Cortês escreveu que “a voragem do mercado e os seus ritmos vêm transformando definitivamente este negócio”, em que “a dimensão comercial e a crescente competição determinam cada vez mais o que se mostra, como e quando”.

“Encerro a Galeria Vera Cortês por sentir que o seu percurso se cumpriu, que adiante me aguardam outros desafios e outros modelos onde a minha paixão pela arte e pelos artistas se possa demorar e florescer, não como uma flor obrigada ao vaso, mas junto à terra e com os pés no chão”, acrescentou.

Ao Jornal Económico, Vera Cortês sublinhou que o que mais a preocupava eram os artistas. “E os artistas foram de uma amizade, de um respeito, de uma solidariedade… inigualáveis” quando informados da decisão.

No comunicado enviado às redações, a galerista explica que encerra “a Galeria Vera Cortês depois do crescimento sustentado dos últimos anos”, num momento em que aquele espaço “representa artistas cujo trabalho [admira] e cuja confiança [a] orgulha, sem esquecer a alegria de ter partilhado com tantos outros percursos que [continua] a acompanhar e a celebrar”.

Até lá, a galeria tem patente até 05 de setembro a exposição “O Esquema Narrativo”, de Ana Vieira, e vai ainda receber a primeira exposição individual em Portugal da francesa Béatrice Balcou, no outono.

Vera Cortês salientou que o anúncio feito esta segunda-feira se deve ao “respeito para com os artistas, diretores de museus, curadores, colecionadores, diretores de feiras, fornecedores, equipas de produção e montagem, jornalistas, críticos de arte e galeristas, e tantos outros que [a] acompanham […] com a transparência e seriedade que sempre pautaram o [seu] percurso”.

“Nestes 25 anos de trabalho no mundo da arte, acreditei sempre que o que estava por vir e que o que me faltava fazer, com o apoio inestimável das minhas equipas (e foram tantas pessoas!), era relevante e estimulante. Exemplo disso foi, também, o empenho com que nos batemos, juntos, pela redução do IVA, culminando meses de muita dedicação com o reforço da importância das galerias no sistema da arte e da cultura”, frisou a galerista, que na altura era presidente da Exhibitio – Associação Lusa de Galeristas.

Para Vera Cortês, desenham-se “agora outros caminhos”.

Na rede social Instagram, o fotógrafo Daniel Blaufuks — um dos artistas representados por Cortês — comentou na publicação que dá conta do encerramento: “O melhor ainda está para vir”.

Sediada em Alvalade, em Lisboa, a galeria representa nomes que vão de Alexandre Farto (mais conhecido por Vhils) a Gabriela Albergaria, passando por Armanda Duarte, Carlos Bunga, Nuno da Luz, Susanne Themlitz, entre outros.