Os militantes do PSD vão reeleger este sábado Luís Montenegro para um terceiro mandato como presidente do partido. No entanto, o ambiente interno não é de total tranquilidade. Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e líder social-democrata, voltou a criticar abertamente a falta de ritmo nas reformas e descreveu alguns políticos como “postiços”, comparando-os a “prostitutos sem carácter”.

Estas declarações surgem num contexto de crescente tensão no seio do partido e têm gerado forte debate político. Para a cientista política entrevistada pela RR, as críticas de Passos Coelho evidenciam o que está a correr mal no Governo de Montenegro e podem fragilizar a sua liderança, especialmente num momento em que a coligação enfrenta desafios como a implementação de reformas estruturais e a gestão da crise na habitação.

“Passos Coelho não é uma figura qualquer. Ele representa uma ala do PSD que defende um programa mais liberal e reformista. Quando ele critica, está a dar voz a uma insatisfação que existe dentro do partido”, afirmou a especialista. A análise sugere que, embora Montenegro conte com o apoio da maioria dos militantes para a reeleição, as divisões internas podem minar a coesão e a eficácia governativa.

Apesar das críticas, a direção de Montenegro mantém-se confiante na vitória no congresso deste sábado. Contudo, o futuro da liderança e a unidade do partido permanecem em aberto, dependendo da capacidade do primeiro-ministro em responder às exigências de uma base partidária inquieta e a uma opinião pública que espera resultados tangíveis.