A Nota de Conjuntura do Fórum para a Competitividade, relativa a maio de 2026, conclui que o crescimento do PIB português este ano poderá não ser afetado de forma significativa pelo conflito no Médio Oriente, situando-se em valores pouco abaixo dos 2%, desde que as tensões no golfo Pérsico se dissipem dentro de não muito tempo — cenário que é assumido pela generalidade das instituições e dos mercados financeiros.
A questão mais premente continua a ser a normalização do tráfego pelo estreito de Ormuz, cujo encerramento quase total tem provocado uma das perturbações mais significativas do aprovisionamento de energia na história recente. Ainda assim, o Fórum assinala algum otimismo quanto à proximidade de um acordo: as cotações do Brent têm-se mantido abaixo dos 95 dólares desde 20 de Maio, após um pico de 118 dólares em março.
No plano doméstico, o PIB estagnou em cadeia no primeiro trimestre de 2026, depois de ter crescido 0,9% no trimestre anterior, afetado pelo comboio de tempestades e pelo início do conflito no Irão. Em termos homólogos, acelerou de 1,9% para 2,3%. Para o segundo trimestre, os primeiros sinais apontam para algum crescimento, embora fraco, com uma desaceleração homóloga expectável face à base de comparação favorável de 2025.
Em maio, o clima económico recuperou para o nível anterior ao conflito com o Irão, com a confiança a melhorar em praticamente todos os sectores. A inflação estabilizou nos 3,3%, com a inflação subjacente a manter-se num nível baixo de 2,2%, o que o Fórum considera tranquilizante. As exportações de bens recuperaram em março de forma expressiva, com um crescimento homólogo de 10,6%, invertendo as fortes quebras dos dois meses anteriores.
O relatório sublinha ainda que o Banco Central Europeu deverá subir as taxas de referência na reunião de 11 de Junho, movimento já refletido nas taxas Euribor, e que a Comissão Europeia reviu em baixa as previsões de crescimento da UE, de 1,5% em 2025 para 1,1% em 2026, esperando uma recuperação parcial para 1,4% em 2027. Para Portugal, Bruxelas projeta um crescimento de 1,7% este ano.