A União Europeia deu um passo significativo ao reconhecer a relação entre coesão territorial e justiça entre gerações. Com a primeira Estratégia para a Justiça Intergeracional, a Comissão Europeia afirma que o local de nascimento não deve determinar o futuro de ninguém, reposicionando a política de coesão como um pilar central do novo contrato intergeracional europeu.

Historicamente, a coesão focava-se na correção de assimetrias regionais e na promoção da convergência. No entanto, num contexto de transições demográficas, digitais, climáticas e geopolíticas, as desigualdades territoriais transformam-se em desigualdades de oportunidade ao longo do tempo. Quando o acesso à educação, saúde, habitação e emprego depende excessivamente da região, as disparidades espaciais tornam-se mecanismos de reprodução de desvantagens entre gerações.

A nova estratégia europeia introduz um ponto de inflexão ao estruturar-se em torno de um “contrato intergeracional” baseado em decisões públicas melhores, oportunidades mais justas e “fair places”. O território deixa de ser um pano de fundo e passa a ser uma variável central na distribuição de oportunidades, riscos e capacidades ao longo da vida.

Em Portugal, as fraturas entre litoral e interior continuam a produzir oportunidades desiguais. A saída forçada de jovens por falta de condições é um fracasso coletivo. A coesão pós-2030 deve, portanto, reconhecer que uma Europa territorialmente mais coesa é também uma Europa mais justa para as gerações atuais e futuras.