A banca grossista global registou, em 2025, os melhores resultados da sua história, com receitas a atingirem um máximo sem precedentes de 660 mil milhões de dólares e uma rentabilidade média sobre os capitais próprios de 15,1%, segundo um relatório conjunto da Oliver Wyman e da Morgan Stanley divulgado nesta segunda-feira.

O estudo, intitulado Digital Rails, Real Economics: Digital Assets & the Future of Wholesale Banking, projeta que o setor poderá gerar entre 650 mil milhões e 850 mil milhões de dólares em receitas até 2030, com uma rentabilidade sobre os capitais próprios (RoE) entre 12% e 20%.

No cenário mais otimista, designado Transformação Económica, as receitas da banca grossista poderão atingir 856 mil milhões de dólares, com um RoE de 19,7%. No entanto, no cenário mais adverso, Disrupção Global, as receitas poderão recuar para 600 mil milhões de dólares, com um RoE de 9,3% no pior ano.

O relatório afasta a hipótese de os criptoativos, como o Bitcoin, virem a rivalizar com as grandes empresas de trading ou de as stablecoins comprometerem o modelo de financiamento bancário baseado em depósitos. A atividade institucional relacionada com criptoativos — incluindo criação de mercado, financiamento e custódia — deverá atingir, no máximo, 16,4 mil milhões de dólares em 2030. As novas receitas líquidas que os criptoativos poderão gerar para os bancos grossistas deverão rondar os 8 mil milhões de dólares, o que representa cerca de 1% das receitas previstas para o setor em 2030.

A verdadeira transformação: migração para infraestruturas digitais

A análise conclui que a verdadeira transformação reside na migração de linhas de negócio já existentes para infraestruturas digitais, especialmente nas áreas dos pagamentos, garantias, liquidez e serviços. No cenário de base, Crescimento Resiliente, espera-se que a adoção destas infraestruturas transforme negócios que atualmente geram mais de 200 mil milhões de dólares em receitas, colocando em risco cerca de 46 mil milhões de dólares devido à compressão das margens e às alterações na quota de mercado.

A adoção deverá ser mais intensa nos pagamentos transfronteiriços, na gestão de garantias, no financiamento e na gestão de liquidez, nas operações cambiais, no financiamento ao comércio e nos serviços aos investidores — áreas em que as infraestruturas digitais poderão proporcionar custos mais baixos, liquidação mais rápida e acesso contínuo.

“Os ativos digitais não vão transformar o setor bancário grossista de um dia para o outro, mas podem redefinir quem controla os fluxos em áreas-chave”, afirmou Jaime Lizarraga, Partner de Serviços Financeiros da Oliver Wyman, citado no comunicado.

O relatório alerta que o desempenho no próximo ciclo não será distribuído de forma uniforme, destacando que as instituições que agirem primeiro e integrarem os ativos digitais em processos críticos para os clientes estarão melhor posicionadas para defender as suas receitas e a sua quota de mercado. As instituições que demorarem a agir perderão terreno de forma progressiva, sobretudo perante concorrentes não bancários ou operadores nativos do setor das criptomoedas.

A Oliver Wyman é uma consultora de gestão do grupo Marsh, com atividade em 130 países.