O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou nesta terça-feira que o governo norte-americano está a investigar se os modelos de inteligência artificial chineses foram treinados utilizando práticas que constituem roubo de propriedade intelectual de modelos americanos, o que pode levar a sanções.

Os modelos chineses de peso aberto estão a ganhar força contra as principais ofertas de empresas americanas como a OpenAI e a Anthropic.

“Se percebermos, especialmente que os modelos estrangeiros estão a roubar as nossas grandes empresas, teremos a capacidade de os sancionar por causa deste roubo”, disse Scott Bessent à Fox Business.

“Estamos a encontrar marcas de água dos nossos grandes modelos de linguagem americanos em muitos dos modelos chineses, e isso é inaceitável”, disse Bessent em entrevista à Fox Business Network, prometendo analisar a situação.

Estas declarações surgem dias depois de o presidente chinês, Xi Jinping, ter discursado na Conferência Mundial de IA (WAIC) em Xangai, prometendo que a “IA de código aberto” seria acessível a todos, incentivando os países a aproveitarem a “oportunidade histórica” da IA de código aberto.

Além disso, os modelos de IA chineses melhoraram o seu desempenho e estão a atrair cada vez mais atenção. O caso mais recente mencionado é o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot AI, um modelo de IA que se mostrou capaz de competir com a OpenAI e a Anthropic e gerou grande interesse.

Os Estados Unidos e a China planeiam realizar conversações sobre inteligência artificial em setembro, segundo uma notícia da Reuters publicada na terça-feira. Bessent representará os EUA durante as discussões, informou o relatório.

Bessent referiu ainda na entrevista uma alegada diminuição das compras chinesas de petróleo iraniano. “Sancionámos as chamadas ‘refinarias de pequena dimensão’ chinesas e observámos uma diminuição substancial das suas compras de petróleo iraniano”, disse indicando ainda que, de um modo geral, a China reduziu as suas compras de petróleo bruto em cerca de 40% nos últimos meses devido aos preços e às suas vastas reservas estratégicas de petróleo. Isto, explicou, exerce pressão económica direta sobre o regime iraniano.